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Brasil negocia bolsas para indígenas no exterior

OESP, Geral, p.A11
09 de Abr de 2004

Brasil negocia bolsas para indígenas no exterior A idéia é que eles freqüentem cursos de mestrado sobre proteção aos direitos humanos
JAMIL CHADE
GENEBRA - A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência está em negociações com universidades estrangeiras para que sejam criadas bolsas de estudo para indígenas brasileiros que queiram fazer mestrado no exterior.
Por enquanto, universidades da Espanha, dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá são as mais cotadas para fechar acordos com o governo brasileiro.
A idéia é de que as bolsas, inteiramente financiadas pelas instituições estrangeiras, ajudem os indígenas a freqüentar cursos sobre a proteção aos direitos humanos. "Nosso objetivo é o de criar uma maior capacidade dessa população em defender seus direitos", afirmou o secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que esteve na Espanha, no fim de semana, falando com autoridades do setor de educação para tentar acertar um acordo. Outra universidade que já esta sendo contatada é a American University, em Washington.
Segundo dados oficiais, há cerca de 1,3 mil indígenas matriculados em cursos superiores no Brasil. Para Miranda, um dos obstáculos a ser superado é a falta de conhecimento das línguas inglesa e espanhola por essa população.
Segundo Fiona Watson, da entidade britânica Survival International, o projeto brasileiro não seria o primeiro no sentido de levar estudantes indígenas ao exterior. Segundo ela, grupos autóctones de Botsuana têm sido enviados a universidades na África do Sul. Escolas norueguesas também vêm recebendo indígenas.
Para ela, porém, o projeto brasileiro deve ser mais bem avaliado: "Faria mais sentido trazer alguém de fora para ensinar às comunidades sobre como defender seus direitos do que levar alguém para o exterior."
Além das bolsas para indígenas, o Brasil quer estabelecer acordos com universidades estrangeiras para que sejam criados programas para treinar brasileiros no campo do combate ao racismo e à tortura.

OESP, 09/04/2004, p. A11

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