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Autor: Nathalia Passarinho
14 de Out de 2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14), em Belém (PA), a exploração sustentável da biodiversidade amazônica, durante o lançamento do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu. Lula disse que o Brasil ainda explora uma pequena parcela das riquezas da região.
"É possível crescer, se desenvolver, sem destruir [...] Quando a gente fala em desenvolvimento sustentável alguns pensam que é proibir a questão do desenvolvimento econômico para permitir a natureza. Nós ainda não começamos a explorar nem 1% da riqueza da biodiversidade que temos na Amazônia", disse.
O presidente voltou a defender a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, que será construída no Rio Xingu. Em seu discurso, Lula afirmou que o projeto da usina foi "amplamente discutido". A obra é criticada por ambientalistas e indígenas devido aos impactos ambientais que pode causar.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 265,1 km² de desmatamento na Amazônia Legal em agosto deste ano. A área equivale a cerca de 165 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo, ou a quase seis vezes o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. No entanto, se comparado com agosto de 2009, quando o sistema registrou 498 km² de devastação, o desmatamento na região foi reduzido em 47%.
Lula disse ainda que não basta apenas proibir o corte ilegal de madeira e o cultivo de gado em áreas de preservação sem dar alternativas para a população de cidades cercadas por florestas. "É preciso dar alternativa para as pessoas viveram dignamente de forma legal. É a única chance que a gente tem de ter sucesso na questão da preservação da nossa querida Amazônia."
O Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu, lançado nesta tarde, tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável da região com a união das políticas públicas dos três níveis de governo. É no Xingu que será construída a usina hidrelétrica de Belo Monte, obra que enfrenta resistência de indígenas e ambientalistas. Um dos objetivos do plano é incentivar as atividades econômicas com ordenamento fundiário e investimentos em infraestrutura.
Inimigos
Depois de lançar o plano para a região do Xingu, Lula participou da 2ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Palma de Óleo. No evento, ele defendeu incentivos aos produtores de óleo e afirmou que o Brasil está ganhando "inimigos" porque ficou "importante".
"Eu penso que o que ouvi hoje aqui já é suficiente para que eu possa concluir que estávamos certos quando acreditamos na política de biocombustíveis, na necessidade de zoneamento agroecológico da cana de açúcar, do dendê. Porque na medida que a gente começa a ficar importante no mundo começam a aparecer adversários", disse.
Segundo o presidente, as nações desenvolvidas se sentem ameaçadas com a ampliação do mercado produtor brasileiro e saem em busca de argumentos para aumentar as tarifas de importação. "Não duvido que logo, logo comecem a dizer que estamos invadindo a Amazônia, que não poderíamos plantar onde estamos plantando, que temos trabalho escravo, trabalho infantil. Que não poderíamos existir nesse mercado de palma", disse.
De acordo com Lula, o Brasil tem condições privilegiadas para o agronegócio. Ele voltou ainda a destacar que o governo está empenhado em reduzir o desmatamento na Amazônia. "O dado concreto é que não tem nenhum país em condições de competir com o Btasil tanto em área agricultável, tanto em solo. A coisa extraordinária é que o Brasil consegue assumir um programa e assume o compromisso de fazer empréstimo diferenciado para os interessados em investir em áreas degradadas. Mostramos ao mundo que estamos diminuindo o desmatamento na Amazônia."
http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/10/brasil-nao-explora-nem-1-d…
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