OESP, Vida, p. H1
19 de Jun de 2012
Brasil é criticado por liderar negociação de texto 'frouxo'
Para outros países, pressão brasileira para obter consenso antes da reunião de cúpula gera documento sem metas
O país anfitrião da Rio+20 foi alvo, pela primeira vez, de duras críticas de diplomatas de outras nações e ativistas de organizações não governamentais (ONGs). O motivo é a pressão do Brasil para fechar o documento da Rio+20 antes da reunião de chefes de Estado, que começa amanhã - o que teria resultado numa proposta de texto fraca demais, ameaçando comprometer o objetivo da conferência. A União Europeia, por exemplo, ressente-se principalmente da falta de metas em áreas como energia, água e eficiência no uso dos recursos. A UE defende manter o texto em aberto para ser debatido pelos chefes de Estado durante a reunião de cúpula.
Como um consenso sobre o texto da declaração final não foi obtido nas rodadas anteriores, organizadas pela ONU, o país anfitrião assumiu o comando das negociações. Numa tentativa de conciliar posições e acelerar o processo, a delegação brasileira acabou retirando ou reduzindo a ambição de vários pontos de conflito que eram considerados essenciais para um resultado forte da conferência, especialmente em questões relacionadas ao comprometimento econômico e político dos países ricos com o desenvolvimento sustentável.
O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da delegação brasileira, porém, permanecia otimista no início da noite quanto à finalização do documento nesta madrugada. À meia-noite começou uma plenária e até o fechamento desta edição não havia resultado.
As primeiras críticas à posição brasileira na Rio+20 surgiram em meio à revelação de telegramas revelados pelo site WikiLeaks - e obtidos pelo correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade - de que os EUA tentaram adiar a realização da Rio+20 desde 2008. A justificativa, apresentada inicialmente pela administração George Bush e reiterada pela de Barack Obama, é de que uma conferência de desenvolvimento sustentável só teria resultados práticos se fosse realizada mais tarde, em 2017. Os telegramas revelados pelo WikiLeaks mostraram que os governos da França e da Holanda também hesitaram em apoiar a Rio+20.
OESP, 19/06/2012, Vida, p. H1
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