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Brasil atinge menor desigualdade de renda em 30 anos, diz estudo do IBGE

OESP, Vida, p. A27-A28
29 de Nov de 2012

Brasil atinge menor desigualdade de renda em 30 anos, diz estudo do IBGE
Sociedade. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) entre 1981 e 2011 indicam que redução foi mais acentuada na última década, com melhoria de renda nas camadas mais pobres; distância entre ricos e pobres, porém, segue elevada

WILSON TOSTA / RIO

O Brasil alcançou em 2011 sua menor desigualdade de renda em 30 anos, segundo dados da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS), estudo feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E chama a atenção nessa redução a melhoria de renda das camadas mais pobres da população brasileira, principalmente na última década.
A pesquisa chegou a essa constatação por meio de um indicador internacional, o Coeficiente de Gini - um índice de 0 a 1, que sobe com a disparidade de rendimentos. O índice do País, que era de 0,583 em 1981, caiu para 0,508 em 2011. Apesar do avanço, a pesquisa mostra que o País continua a ser um dos mais desiguais do mundo, longe da média de países da União Europeia. No ano passado, por exemplo, o Gini foi de 0,290 na Alemanha, 0,308 na França e 0,244 na Suécia.
Outro trabalho, que aborda um período de tempo mais curto e recente, entre 2001 e 2011, apontou queda acelerada na distância entre ricos e pobres brasileiros na última década. Entre 2001 e 2011, os 20% mais ricos tiveram uma redução na participação total de renda (de 63,7% para 57,7%). Mesmo assim, em 2011, os 40% mais pobres somavam só 11% da riqueza nacional, diz o IBGE.
"A estrutura de rendimentos do Brasil ainda é muito desigual", disse a pesquisadora Bárbara Cobo, da Coordenação de População e Indicadores Sociais da instituição. "Os 20% mais ricos ainda ficam com quase 60% do rendimento."
Os números comprovam que os 20% mais pobres conseguiram um aumento de renda significativo na última década - de 2,6%, em 2001, passaram a acumular 3,5% do total de riqueza do País em 2011. Esse aumento de 0,9 ponto porcentual no rendimento dos mais desfavorecidos correspondeu uma queda de 6 pontos porcentuais na riqueza acumulada pelos 20% mais ricos no período.
Essa gangorra entre os dois extremos pode ser lida de outra forma: na prática, o grupo social mais privilegiado viu sua renda, equivalente a 24 vezes o que ganhavam os 20% mais pobres em 2001, cair para 16,5 vezes em 2011. Apesar da queda, esse indicador ainda deixou o Brasil distante de alguns países desenvolvidos da Europa, onde a relação entre os mais ricos e os mais pobres é de quatro a seis vezes.
Bolsa-Família. O avanço da renda no País ao longo da décadas se deu em um cenário em que, segundo a SIS, disparou o rendimento de "outras fontes" de famílias com rendimentos domiciliares per capita mais baixos (de até 1/4 de salário mínimo). Nesse grupo, houve uma expansão de 5,3% para 31,5% da renda entre 2001 e 2011. Na faixa de rendimento imediatamente acima (de 1/4 a meio salário mínimo) também houve aumento: de 3,1% para 11,5% na década. Para os pesquisadores do IBGE, como as famílias pesquisadas são extremamente pobres, a hipótese mais provável para explicar esse aumento é a expansão ocorrida no período dos programas de transferência de renda como o Bolsa-Família, pago a famílias carentes com filhos em idade escolar, e o Benefício de Prestação Continuada, destinado aos extremamente pobres.
Trabalho formal. Outra constatação da SIS: entre 2001 e 2011, cresceu a proporção de pessoas com 16 anos ou mais ocupadas com trabalho formal, passando de 45,3% para 56%. Mas ainda estavam na informalidade, no ano passado, 42,2 milhões de pessoas. O rendimento médio do trabalho principal teve aumento real de 16,% no mesmo período.
"As políticas sociais estão começando a se articular e dar resultado", disse a gerente da Coordenação de População e Indicadores Sociais, Ana Lucia Saboia.

Faltam serviços básicos em 30% dos domicílios
Mais de 16 milhões de lares não têm, simultaneamente, coleta de esgoto por rede ou fossa séptica, água tratada, recolhimento de lixo e eletricidade

RIO

O avanço na distribuição de renda no Brasil de 2001 a 2011 contrasta com as condições de vida de parte considerável da sociedade brasileira, demonstra a Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) 2012 divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2011, 30,6% dos domicílios urbanos brasileiros - pouco mais de 16 milhões de lares, com prováveis 64 milhões de moradores - não tinham simultaneamente os serviços básicos para que haja condições mínimas de habitação: água tratada, coleta de esgoto por rede ou fossa séptica, recolhimento de lixo e eletricidade.
A razão entre as residências com e sem os quatro serviços era de 0,44 - praticamente para cada dois domicílios habitáveis havia um sem eles, aponta o estudo. "Essa questão tem a ver com a ação do poder público", disse o pesquisador Rubem Magalhães, do IBGE. "Se aumentarmos o salário de um trabalhador para R$ 30 mil por mês, ele não vai instalar uma rede de água na rua onde mora. Isso é papel do Estado", completou. Segundo a SIS, o avanço nas condições de vida na década foi pequeno: de 67,1% para 69,4% de domicílios urbanos com acesso simultâneo a água, esgoto, coleta do lixo e eletricidade - 2,3 pontos de 2001 a 2011.
Também nesse ponto a desigualdade foi forte. No Sudeste, no ano passado, 94,8% dos lares com renda mensal domiciliar per capita acima de 2 salários mínimos tinham acesso simultâneo aos três serviços de saneamento (água, esgoto e lixo). Mesmo os mais pobres tinham alta cobertura: 79,4% dos domicílios da região com até meio salário mínimo de renda domiciliar per capita estavam cobertos.
É um porcentual muito acima da média do Brasil e da pior média regional, do Norte: 14,8%. Na mesma região, 78,4% dos lares foram considerados, segundo o IBGE, sem condições mínimas de habitabilidade. No Amapá, a proporção chegou a 95,9%.
A SIS de 2012 também constatou que apenas 31% dos domicílios permanentes urbanos tinham, simultaneamente, luz elétrica, computador, acesso à internet, aparelho de DVD, televisão em cores e máquina de lavar, medidas de conforto da vida moderna. O estudo descobriu que, dos 69% de domicílios desprovidos de algum desses itens, quase 90% (84,9%) não tinham acesso à web.
Se forem considerados apenas lares com renda média mensal domiciliar per capita de até meio salário mínimo, a proporção dos excluídos digitais (em 2011) chegava a 92,2%. Segundo a pesquisa, 86% dos domicílios brasileiros no ano passado eram urbanos; apenas 14% se localizavam na área rural, em distribuição que tende a se estabilizar.
Outros indicadores. O IBGE também avaliou a pobreza e a desigualdade com base em uma "perspectiva multidimensional", com indicadores monetários e não monetários, adaptando a metodologia do Consejo Nacional de Evaluación de la Política de Desarrollo Social, do México. A SIS constatou que 22,4% da população brasileira estava em 2011 vulnerável segundo critérios sociais e/ou de renda, com variações regionais. O porcentual chegava a 40,1% no Nordeste e ficava em 7,7% em São Paulo. / WILSON TOSTA

OESP, 29/11/2012, Vida, p. A27-A28

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