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Brasil: + 3 graus

O Globo, Amanhã, p. 18
Autor: VIEIRA, Agostinho
20 de Ago de 2013

Brasil: + 3 graus
Relatório assinado por 345 cientistas brasileiros prevê que até o final do século clima do país ficará entre 3"C e 6"C mais quente. Chuvas diminuiriam na Amazônia e na Caatinga, mas subiriam nos Pampas.

Agostinho Vieira
oglobo.globo.com/blogs/economiaverde

Os dados são preliminares - o documento final só será divulgado em setembro -, mas o primeiro relatório de avaliação nacional (RAN1) produzido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) mostra que os próximos anos serão de muita instabilidade climática. Os brasileiros vão conviver com períodos mais longos de secas, seguidos por outros de chuvas muito fortes. Situação que se agravará nos grandes centros, por conta das ilhas de calor.
O estudo, que teve os primeiros resultados publicados na edição deste mês da revista Pesquisa Fapesp, segue o mesmo padrão das análises feitas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Na verdade, trata-se de uma compilação de todas as pesquisas nacionais relevantes produzidas sobre o tema nos últimos anos. A diferença é que o IPCC faz uma avaliação global da questão e aborda apenas superficialmente as questões relativas à América do Sul e ao Brasil.
As análises foram divididas em três partes. A primeira considerou as ocorrências de mudanças climáticas no Brasil, a segunda levou em conta os efeitos das mudanças na economia e na vida das cidades. Já a terceira focou nas ações de adaptação e nos caminhos para reduzir as emissões de CO2. O relatório indica, por exemplo, que a agricultura será o setor mais afetado, por conta da mudança nos regimes de chuvas. As culturas de milho, arroz e mandioca tendem a ter quedas importantes de produtividade.
Uma pesquisa feita pela Embrapa, em 2008, confirmada agora por este relatório do PBMC, já previa que as perdas da agricultura provocadas pelas mudanças climáticas seriam da ordem de R$ 7 bilhões, em 2020, e de R$ 14 bilhões, em 2070. Com isso, de acordo com os especialistas, torna-se urgente investir em mudanças no modo de produzir. Reduzindo o uso de fertilizantes, aumentando a rotação de culturas e a fixação biológica de nitrogênio.
Nas cidades, deslizamentos de encostas, cheias e ondas de calor devem se tornar mais frequentes, aumentando cada vez mais os problemas de saúde pública.
De acordo com o professor Carlos Nobre, presidente do PBMC, um dos objetivos do documento é exatamente guiar as políticas públicas de adaptação e mitigação. Há muito trabalho a fazer.

O Globo, 20/08/2013, Amanhã, p. 18

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