VOLTAR

'Brancos' assimilam a medicina indígena

A Crítica - http://www.acritica.com
Autor: Leandro Prazeres
23 de Mai de 2010

Há quatro anos, o enfermeiro Juarez Saraiva da Silva Jr. trocou os pampas gaúchos pela floresta amazônica para trabalhar como enfermeiro de uma organização não-governamental que presta serviços para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na área dos índios baniwa de São Gabriel da Cachoeira. Cansado de ver seus pacientes abandonar o tratamento, decidiu estudar a cultura indígena.

De tanto estudar e ouvir os mais antigos, Juarez adotou métodos que misturam seus conhecimentos das medicinas ocidental e indígena. "Entendi que nem tudo o que eu estudei na faculdade serve aqui. Tem coisas que a nossa medicina não alcança", diz Juarez.

Hoje, o enfermeiro é um dos muitos que se aliam aos benzedores e pajés do Alto Rio Negro durante o tratamento de índios doentes. "Eu peço para os pacientes levarem os comprimidos para o benzedor (komu em nheengatu) abençoar. Isso faz com que os pacientes acreditem mais na eficácia do que eu estou prescrevendo", afirma Juarez.

Juarez, gaúcho que não dispensa o chimarrão nem sob o calor da Amazônia, diz que ficou mais "índio" depois que chegou à floresta. "Há uns dois meses, eu notei umas manchas brancas na minha pele. Pela característica, eu diagnostiquei como bicho geográfico (larva migrans). Tomei a medicação convencional, mas não resolveu. Fui a um benzedor e ele me disse que aquilo não era doença de branco, mas de índio. Ele me prescreveu um tratamento e o problema desapareceu", conta o enfermeiro.

Se hoje a medicina ocidental se mostra cada vez mais tolerante com a tradicional, o mesmo vem acontecendo na Igreja Católica. Depois de perder terreno para os evangélicos no século passado, os católicos estão aceitando melhor a interação com as religiões indígenas. "Duas semanas atrás, um padre me disse que havia convidado os pajés e benzedores de uma aldeia para fazerem um batismo coletivo. Hoje, entendemos que o mais importante é a experiência que leva a Deus. Se ela acontece por meio da Igreja, ótimo, mas se não acontece, não tem problema", diz o pároco de São Gabriel da Cachoeira, o padre Osvaldo Cabianchi. "Não podemos julgar os missionários do passado com base no que sabemos hoje. Eles fizeram o melhor que podiam com o que sabiam na época", defende o religioso.

http://www.acritica.com/especiais/Resistencia_Silenciosa-xamas-indios-b…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.