GM, Agribusiness, p. B10
18 de Nov de 2003
A BR-163 é o novo alvo dos produtores
Após investirem na pavimentação das rodovias estaduais, os agricultores, aliados à indústria, estão crescendo os olhos para as estradas federais. "Seria o primeiro caso de privatização de uma estrada a ser asfaltada", diz Otaviano Pivetta, presidente do consórcio que estuda a pavimentação da BR-163, que liga Cuiabá (MT) ao porto de Santarém, no norte do Pará. Outro porto-alvo é o de Itaituba (oeste do estado).
O consórcio, formado agricultores, empresas de importação e exportação, indústrias de Manaus (AM) e o grupo André Maggi, da família do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, pretende investir US$ 175 milhões para asfaltar uma parte dos 1.800 quilômetros da BR-163; desse trecho, praticamente 1.000 quilômetros são estradas de terra. "Hoje, já existem entre 3 milhões e 4 milhões de tonelada de soja que poderia ser escoadas pelo porto de Santarém, e que viajam 600 quilômetros a mais para serem escoadas pelo porto de Paranaguá", diz Pivetta.
De acordo com Cloves Vettorato, secretário extraordinário de projetos estratégicos do governo do Mato Grosso, a pavimentação da rodovia federal deverá mudar o panorama agrícola no interior do estado. "Há 3 milhões de hectares utilizados na pecuária somente porque a logística não viabiliza a agricultura. Com a estrada, as lavouras de grãos deverão prosperar", acredita o secretário.
Os defensores da pavimentação da BR-163 também dizem que, escoando a safra por Santarém, eles poderão embarcar milho e farelo para o Nordeste, substituindo importações da Argentina.
Com a estrada, os produtores barateariam o custo do frete, hoje em US$ 70 a tonelada, para menos de US$ 50. Por isso, os agricultores se propõe a pagar US$ 8 por tonelada de soja produzida para finalizar a BR-163.
BR-158
Para desenvolver o interior do Mato Grosso, o governo estadual pretende, também, pleitear a privatização da BR-158, rodovia federal que liga Barra do Garça, no sudeste do estado, à divisa do Pará. Dentro deste trecho, faltam asfaltar 427 quilômetros. "Neste trecho, não há interesse suficiente da iniciativa privada para justificar, sozinha, investimentos", diz Vettorato. A engenharia financeira para viabilizar a pavimentação envolve a União, o Estado e a iniciativa privada, que deverão investir US$ 80 milhões.
Pedágio só para as carretas
Todo o dinheiro investido pelos produtores rurais nas estradas deve retornar para seus bolsos. É que o governo do estado pretende licitar as rodovias recém-asfaltadas, implantando pedágios para custear sua manutenção - e os produtores já estão de olho nesse processo.
Os agricultores pretendem disputar essa licitação por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPE). Caso a SPE dos agricultores vença o leilão, eles pretendem receber em tickets de pedágio o equivalente investido. Os produtores rurais estão tão envolvidos no processo que até já têm uma proposta: apenas as carretas devem pagar a taxa, os carros de passeio, não.
Caso um outro consórcio saia vitorioso, ele terá que devolver aos agricultores e ao estado os recursos investidos.
GM,18/11/2003, Agribusiness, p. B10
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