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Bombeiros farão queima controlada da Estação Ecológica do Cerrado de Campo Mourão

Tribuna do Interior - https://www.tribunadointerior.com.br
Autor: Walter Pereira
14 de Ago de 2018

Bombeiros farão queima controlada da Estação Ecológica do Cerrado de Campo Mourão
14/08/2018 às 17:12

Walter Pereira

Estação do município é a menor do Sul do Brasil.

O Corpo de Bombeiros de Campo Mourão fará no dia 27 deste mês, a partir das 13h30, a queima controlada da Estação Ecológica do Cerrado do município, localizada no jardim Nossa Senhora Aparecida, próximo ao 11o Batalhão de Polícia Militar.

A ação será para eliminação de espécies invasoras da reserva. Todo o trabalho será acompanhado pelo doutor em ciências ambientais, professor Mauro Parolin, responsável pela Estação.

"A queima será para erradicação de plantas invasoras e quebra de dormência de sementes. Se não forem erradicadas, estas invasoras colocam em risco a vida reserva, descaracterizando a estação, que já está se tornando uma floresta. Há várias espécies de cerrado ali dentro, mas a fisionomia já não é mais de cerrado. Temos que fazer esta operação ainda neste mês de agosto, não pode passar", falou Parolin. Segundo ele, será uma queima rápida, de cerca de duas a três horas.

Ontem de manhã o professor acompanhado dos Bombeiros fez o levantamento da área que será queimada. Dentre as plantas invasoras na reserva, ele comentou que estão a leucena, bambu, plantas herbáceas de jardim, ameixeiras, limoeiros, entre outras. Será queimada uma faixa de cerca de 30 metros de vegetação, entre a rua Candido Holtz Viêira e as avenidas Paraná e José Tadeu Nunes. A área é o equivalente a um terço da Estação Ecológica, que tem uma área total de 13,3 mil metros quadrados aproximadamente. "Vale ressaltar que o fogo é danoso apenas para as espécies que não são do cerrado, as que são do cerrado necessitam do fogo", ressaltou o professor.

Parolin informou que a Estação do Cerrado de Campo Mourão é a menor do Sul do Brasil e conserva espécimes que tem ocorrência no Sul do País somente aqui em Campo Mourão. Ele disse que na área que será queimada existem cerca de pelo menos 40 espécies diferentes desde arbóreas a herbáceas. A Unespar é a entidade pública responsável pela estação, a Instituição tem 30 anos de comodato para administrar a área.

O professor orienta a população que no dia da queima não deixe roupa estendida no varal e pessoas que tiverem algum problema respiratório fiquem atentos, porque a ação vai gerar bastante fumaça. "Ressaltamos que não precisa a população ficar ligando para o Corpo de Bombeiros ou Polícia Militar porque estes órgãos já estarão nos auxiliando no dia", falou.

Ele disse que o Ministério Público e Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já foram oficiados e deram anuência para a operação. "A população pode ficar tranquila que todas as medidas estão sendo tomadas para que se evite ao máximo o risco de incidentes durante a queima", tranquilizou Parolin.

A Estação Ecológica

Todo o cerrado do Paraná cabe em um campo de futebol. É um quarteirão de mata retorcida em Campo Mourão. A cidade nasceu e cresceu sobre o cerrado que um dia dominou a região e boa parte do país.

"O cerrado que existiu no Brasil no passado era muito vasto. À medida que o clima foi mudando para mais úmido, as florestas foram avançando. A vegetação de cerrado ficou restrita a manchas em pontos onde o solo lhe dava condição de manutenção", conta Parolin.

No espaço todo cercado, uma amostra da paisagem que não existe mais. A estação é um museu vivo do cerrado paranaense. Só pesquisadores podem entrar para estudar a mata. Um acervo pequeno, mas valioso.

Em apenas uma quarteirão pesquisadores já identificaram 240 espécies de plantas. Algumas delas são bem raras, como um tipo de capim que, no Paraná, só existe na estação. "Em Campo Mourão, uma gramínea do cerrado só conseguiu ficar preservada dentro da estação. Nas áreas de entorno, o avanço da cidade fez com que ela desaparecesse", explica o professor.

Na mata ilhada pelo progresso também foram encontradas plantas usadas em remédios caseiros. Caso da copaíba e do barbatimão, que produz um poderoso cicatrizante. Os efeitos foram testados por pesquisadores da estação ecológica. Em parceria com laboratórios privados, eles fabricam tinturas e
pomadas com a casca da planta.

O barbatimão é uma das espécies coletadas e catalogadas no herbário da Universidade Tecnológica Federal de Campo Mourão (UTFPR). O acervo tem mais de duas dezenas de espécies do cerrado. Plantas que não foram mais observadas fora do local, como a palmeira-anã e o algodão-do-campo.

O esforço para preservação também conta com incentivo oficial. Em Campo Mourão, moradores que mantêm espécies de cerrado no quintal e que se cadastraram na prefeitura até 2003 têm direito a desconto no IPTU. Para cada árvore de pé, 5% menos de imposto. Mas só valem espécies tombadas, como angico, pequi e barbatimão. O desconto máximo é de 30% no valor do tributo.

Fundação
Em 1987, professores e alunos do Departamento de Geografia da Fecilcam começaram uma luta pela criação da Estação Ecológica do Cerrado, uma área de pouco mais de 1 hectare. Em 1993, houve a aprovação do Decreto Municipal de criação. Atualmente a unidade de conservação municipal conta com uma infraestrutura constituída de centro de visitantes e de laboratório de pesquisas, que abrange também um herbário onde são depositadas permanentemente amostras da vegetação local.

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