Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
14 de Abr de 2004
Crescem as pressões externas, ajudadas por brasileiros adeptos do atraso, contra o desenvolvimento do agronegócio na Amazônia. Nos últimos anos é inegável o avanço na produção de grãos e carnes brasileiros que são os mais competitivos do mundo, não só pela incorporação de novas áreas produtivas, mas também pelos ganhos de produtividade, frutos da competência, talento e vontade de trabalhar dos empresários rurais tupiniquins.
Temos possibilidade de nos transformar num país referência e influente no agronegócio internacional, desbancando potências como os Estados Unidos, Canadá e Rússia no fornecimento de grãos e carnes para os grandes mercados como a China e outros emergentes. Isso incomoda a potência governada por Bush, que precisa mais que nunca exportar para resolver seu crônico déficit externo.
Os americanos descobriram que boa parte da expansão da área cultivada no Brasil ocorreu em direção a Amazônia e Centro-Oeste e vão utilizar a questão indígena e ambiental para frear o crescimento do agronegócio tupiniquim. Utilizarão como sempre as organizações não governamentais, que terão à disposição uma gama de doutores e mestres internalizados nas universidades e institutos de pesquisas públicas, que se formaram financiados pelo contribuinte brasileiro, mas vocalizam o discurso e a visão de mundo geradas nos países do dito primeiro mundo.
Não será fácil enfrentar essa vanguarda do atraso.
SEM 1
Lula da Silva (PT) parece pouco preocupado com a classe política local, principalmente com a chamada bancada federal. Semana passada ele chamou ao Planalto vários ministros e dirigentes de autarquias federais (Incra e Funai) para tratar da questão da demarcação da Raposa/Serra do Sol e das possíveis compensações ao Estado de Roraima. Nenhum parlamentar de Roraima foi convidado para a reunião.
SEM 2
Agora dá para entender porque o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, recebeu parlamentares do Acre e de Rondônia, que acompanhavam algumas lideranças indígenas, para tratar de assuntos relativos a Roraima. Rosseto discutiu com gente que nada tem a ver com Roraima o destino dos mais de 350 mil habitantes que moram por aqui.
NEGOCIADA
O site do Partido dos Trabalhadores anunciou ontem que o Planalto adotará uma solução negociada para a demarcação da Raposa/Serra do Sol. Segundo o deputado federal Lindberg Farias (PT-RJ), um bom caminho seria o estabelecimento de um cinturão de 15 quilômetro medido ao longo da faixa de fronteira onde não se criariam reservas indígenas. Lindberg, aliás, tem se revelado um parlamentar de visão bastante lúcida sobre a questão.
NÃO SERÁ
Se for mesmo atendido o prazo - de quinze dias -, determinado pelo presidente Lula da Silva (PT), de pouco adiantará a grana que as Ongs estão gastando para levar indígenas a Brasília para pressionarem o Planalto a anunciar a demarcação da Raposa/Serra do Sol no próximo dia 19 de abril, Dia do Índio. Cumprido o prazo, o anúncio deverá ser feito entre o final de abril e o começo de maio.
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