Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
29 de Abr de 2004
Não adianta mudar de assunto. Nos últimos dias, quase tudo do que se conversa em Roraima passa, necessariamente, pela questão da homologação da área indígena Raposa/Serra do Sol. Mesmo depois da aprovação dos relatórios das comissões externas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e após o anúncio pelo Palácio do Planalto de que a homologação só será feita após uma decisão judicial, ainda assim quase ninguém no Estado deixa de lado o que se faz, ou se pretende fazer em Brasília.
A última polêmica diz respeito à especulação quanto às razões que levaram o presidente Lula da Silva (PT) a adiar a decisão. São duas as versões. De um lado, muita gente acha que Lula não quis anunciá-la na terça-feira, 27, para não afrontar o Poder Legislativo, no mesmo dia em que Câmara e Senado aprovaram relatório sugerindo ao presidente que ouça as vozes da concórdia, e busque uma solução de consenso entre todos os agentes sociais envolvidos, e, principalmente, preserve a soberania nacional.
Os que pensam que Lula já se decidiu, faz muito tempo, pela demarcação da Raposa/Serra do Sol em área contínua, e aguarda apenas o momento oportuno para divulgá-la, apostam na força desmesurada da cúpula da Igreja Católica no governo petista. De fato, quase todos os auxiliares mais diretos de Lula têm estreita ligação com a Igreja Católica, a começar pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Em poucas fases da história republicana tupiniquim, houve tamanha aproximação entre a Igreja Católica e a cúpula diretiva do estado brasileiro.
Existem também os que torcem para que Lula tenha adiado o anúncio da homologação da Raposa/Serra do Sol, porque estaria convencido de que tem de ouvir o que pensam os poderes Legislativo e Judiciário. Afinal, a questão da soberania é muito complexa, para ser decidida por uma só pessoa. Neste caso, Lula pediu mais tempo para negociar com a Igreja Católica, com as Ongs internacionais e os governos estrangeiros a saída negociada, como querem os senadores e deputados.
Seja como for, só o tempo dirá quem está com a razão.
CPI
O ambiente no Congresso Nacional é francamente favorável à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mista, formada por senadores e deputados, para apurar o envolvimento de servidores da Funai com a extração mineral em áreas indígenas. O clima tornou-se pró-CPI, principalmente depois do massacre de 29 garimpeiros na reserva indígena Roosevelt.
VIAGEM
A mesma Comissão Externa do Senado Federal, que veio a Roraima estudar a questão da Raposa/Serra do Sol, chegará dia 5 de maio à reserva indígena dos Cinta-Larga em Rondônia, chamada sintomaticamente de Roosevelt. Os senadores vão ver de perto as condições do garimpo e da disputa entre garimpeiros e índios que já matou dezenas de pessoas.
ABSURDOS
O assunto é tratado sob "sete chaves", mas uma fonte da coluna garante que a informação é verdadeira. A equipe interdisciplinar de peritos, nomeada pelo juiz Helder Girão Barreto, para estudar com profundidade os critérios que levaram a demarcação da Raposa/Serra do Sol, está encontrando verdadeiros absurdos no laudo antropológico feito pela Funai
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