O Globo, País, p. 5
26 de Out de 2018
Bolsonaro recua e fala em manter Acordo de Paris
Candidato havia dito que poderia retirar Brasil do tratado do clima por afetar a soberania. Ontem, disse ainda que proposta de unir os ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio voltará a ser discutida após eleições
MARIANA MARTINEZ
opais@oglobo.com.br
Em novo recuo, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse ontem que não vai tirar o Brasil do Acordo de Paris, caso seja eleito no próximo domingo. E disse que é preciso esclarecer a verdade sobre o que o tratado representa.
O Acordo de Paris foi assinado por 195 países em 2015 e prevê que todos devem manter o aquecimento global abaixo de 2oC, buscando limitá-lo a 1,5oC.
- Não, não sai. Fica no Acordo de Paris - respondeu o candidato do PSL que, em cerimônia simbólica, recebeu ontem uma faixa preta dos lutadores Robson Gracie e Austregesilo de Athayde.
No mês passado, ao participar de um encontro com empresários, Bolsonaro havia dito que, se fosse eleito, poderia retirar o Brasil do acordo por não concordar com as premissas, entendendo que o documento afeta a soberania nacional.
Ontem, ele voltou a criticar a medida. Segundo o candidato, é possível o Brasil buscar essas metas sem precisar fazer parte de "acordo nenhum", mas que pode manter o país no tratado se houver garantias que não está em jogo o chamado Triplo A -a proposta de um grande corredor ecológico que ligue os Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia.
- Não estaria mais sob a nossa jurisdição, mas a de outro país. Pergunto: nesse acordo nós poderíamos abrir mão da nossa Amazônia? Vamos colocar no papel que não está em jogo o Triplo A, nem a independência de nenhuma terra indígena, que eu mantenho o Brasil no Acordo de Paris.
Bolsonaro disse ainda ser favorável a investimentos em energia eólica e solar.
FUSÃO DE MINISTÉRIOS
O líder nas pesquisas afirmou também que a proposta de unir o Ministério da Fazenda ao da Indústria e Comércio Exterior voltará a ser discutida após as eleições. Durante uma transmissão ao vivo pelo Facebook anteontem, o capitão da reserva já havia reconhecido que iria rever a decisão, em um eventual governo, se for interesse dos empresários e do país.
Com o recuo, o superministério da Economia previsto para ser comandado pelo economista Paulo Guedes perderia força. Questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse que "a evolução faz parte do ser humano".
Em entrevista à Band, o candidato afirmou que pretende colocar o preço dos combustíveis "compatível com a realidade brasileira".
- Mais baixo do que tá aí. Estamos no limite do limite. Não temos mais como majorar o preço do combustível -disse Bolsonaro.
Sobre a hipótese de extinção do Ministério da Cultura, Bolsonaro disse que o problema é a Lei Rouanet, que, para ele, é mal aplicada.
- Tem de ter um filtro. Se for uma secretaria ou ministério, qual é o problema?.
O Globo, 26/10/2018, País, p. 5
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