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Bolsonaro recua de novo sobre fusão de ministérios

OESP, Economia, p. B3
02 de Nov de 2018

Bolsonaro recua de novo sobre fusão de ministérios
Após reação negativa de ruralistas, presidente eleito volta a dizer que Agricultura e Meio Ambiente podem ser mantidos separados

Pedro Ladislau Leite, Mateus Fagundes, Roberta Pennafort e Cristian Fávaro, O Estado de S.Paulo

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, do PSL, indicou nesta quinta-feira, 1.o, que a fusão dos Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura deve ser revista. "Pelo que tudo indica, serão dois ministérios distintos", disse. "Pretendemos proteger o meio ambiente sim, mas não criar dificuldades para o nosso progresso."

A declaração foi dada durante entrevista coletiva a emissoras católicas dois dias depois de a fusão ter sido anunciada pelos futuros ministros Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, e Paulo Guedes, da Economia. A decisão recebeu críticas do agronegócio, que teme prejuízos no comércio internacional, já que países que compram do Brasil vêm aumentando a pressão por preservação ambiental.

Bolsonaro disse ainda que, se mantiver o Ministério do Meio Ambiente, a pasta será comandada por "alguém voltado para a área, sem ser xiita". A expressão é a mesma usada por ele na semana passada, quando em transmissão ao vivo para redes sociais havia dito que poderia desistir da fusão do órgão com a Agricultura. Para o presidente eleito, o País é o que "mais protege" o meio ambiente. "O que a gente defende é não criar dificuldade para o nosso progresso", comentou.

Mais tarde, em coletiva a emissoras de TV, Bolsonaro confirmou que ainda não está certa a fusão dos ministérios, pensada para "pacificar" atritos entre as áreas. "Temos mais dois meses para discutir sobre junção da Agricultura com o Meio Ambiente", afirmou. O presidente eleito lembrou ainda que não existe unanimidade entre ruralistas sobre a questão, por conta de possíveis "pressões internacionais". "Estou pronto para voltar atrás, não tem problema nenhum. Não vai ter ninguém com pressão de ONGs, um trabalho xiita. Queremos preservar o meio ambiente, mas não da forma que vem sendo feito ultimamente."

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que o objetivo da fusão era "acabar com a briga entre as duas pastas". Ele ressaltava, porém, que quem ditaria as regras no novo ministério, resultado da união dos dois, seria a Agricultura. Também afirmou em diversas ocasiões que poria fim à "indústria de multas" e à "fiscalização xiita" imposta aos produtores rurais por autoridades ambientais, como Ibama e ICMBio.

O anúncio da fusão no início da semana provocou protestos na Frente Parlamentar da Agricultura, a chamada bancada ruralista, que é resistente à ideia. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, chegou a criticar a decisão. Um dos argumentos de Maggi é que o Meio Ambiente trata de questões que não são ligadas ao agronegócio, como energia, infraestrutura, mineração e petróleo, assuntos que seriam de difícil conciliação com a fusão. "Como um ministro da Agricultura vai opinar sobre um campo de petróleo ou exploração de minérios?", disse na quarta-feira.

Twitter
Nesta quinta-feira, a modelo Gisele Bündchen usou o Twitter para pedir ao presidente eleito que não junte os Ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura. "Como defensora do meio ambiente e cidadã brasileira, preciso manifestar a preocupação com a proposta de união entre os dois ministérios. Dois órgãos de imensa relevância nacional e que têm agendas próprias e, por vezes, incompatíveis", diz ela na nota endereçada a Bolsonaro.

OESP, 02/11/2018, Economia, p. B3

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