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Bolívia: 1,8 milhões de hectares de florestas perdidos em 10 anos

O eco - http://www.oeco.com.br
Autor: Giovanny Fabio Vera Stephanes
30 de nov de 2012

Entre os anos 2000 e 2010 na Bolívia foram desmatados 1,8 milhões de hectares de florestas, de acordo com o Mapa de Desmatamento das Terras Baixas e Yungas da Bolívia, estudo feito pela Fundação Amigos da Natureza (FAN). Deste total, 908 mil hectares se perderam entre 2000 e 2005, e outras 912 mil entre os anos de 2005 e 2010.

No ano 2010, na Bolívia as florestas de terras baixas (até 1.000 metros de altitude) e os yungas (região andina tropical, entre 1.900 e 3.800 metros de altitude) ocupavam 499.622 km2, quase 45% da superfície do país.

A pesquisa mostra que a Amazônia não foi a mais afetada pelo desmatamento na Bolívia. Ela teve desmatados um total de 295 mil hectares entre 2000 e 2010 (16%), sendo superada pela região Chiquitania, com mais de 1 milhão de hectares peerdidos (56%), e a região do Chaco, com 447 mil hectaresa (25%), ambas entre 2000 e 2010. Já a região Yungas perdeu 52 mil hectares (3%).

Para Daniel Larrea, coordenador do Departamento de Ciências da FAN, são três os principais fatores que provocam o desmatamento observado: a agricultura industrial mecanizada, a agricultura de subsistência ou em pequena escala e a pecuária. O primeiro fator é influenciado "pelo bom acesso a mercados de exportação, solo fértil e pela chuva", e os outros dois devido à proximidade aos mercados locais.

O estudo mostra que o departamento de Santa Cruz é o que mais sofreu a perda de seus bosques, com quase 1.4 milhões de hectares convertidos em paisagens agrícolas ou pecuários para a produção de soja, girassol, arroz e gado. Entre os efeitos, estão a drástica redução da biodiversidade e mudanças nos processos hidrológicos e geoquímicos dos solos. Em conjunto, esses fatores reduzem os serviços ecossistêmicos que os bosques oferecem à população, diz o comunicado de imprensa da FAN.

Desmatamento em áreas protegidas

O estudo analisou a perda de bosques nas áreas protegidas das terras baixas e yungas da Bolívia, a partir de duas categorias: áreas protegidas nacionais e áreas protegidas subnacionais (departamentais e municipais).

As áreas protegidas nacionais nas terras baixas e yungas ocupam 16,2 milhões de hectares, 14,8% da superfície do país. Entre os anos 2000 e 2010, essas áreas perderam 49.884 hectares, 0,4% do total existente em 2000. As áreas protegidas mais afetadas foram o Parque Nacional Carrasco, com 12.179 hectares perdidos, o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), com 12.118 hectares, ambos na zona amazônica do país, e o Parque Nacional Amboró, com 10.004 hectares.

Já no segundo caso, as áreas protegidas subnacionais em terras baixas e yungas resguardam 8.4 milhões de hectares, quase 7,6% da superfície da Bolívia. De 2000 a 2010, desmatou-se por lá 71,1 mil hectares, ou 1,4% do total existente no ano 2000, igual a cerca de 5.3 milhões. Um resultado alarmante do estudo é que, ao contrário das áreas protegidas nacionais, nas municipais e departamentais o desmatamento se acelerou rapidamente.

No total, a perda de bosque nas áreas protegidas nos 10 anos estudados foi de quase 50 mil hectares, com 30 mil desmatados entre 2000 e 2005, e outros 20 mil entre os anos 2005 e 2010.

Situação dos territórios indígenas

O estudo Mapa de Desmatamento de Terras Baixas e Yungas da Bolívia se debruçou também sobre o que ocorreu nos territórios indígenas titulados, que cobrem cerca de 11,1 milhões de hectares, 10,1% da superfície do país. Entre os anos 2000 e 2010, perderam-se 47.460 hectares de florestas nestes territórios, 0,6% da superfície que existia no ano 2000. Através da pesquisa foi possível revelar uma rápida aceleração no desmatamento nas terras indígenas.

O objetivo do estudo realizado pela FAN foi entregar às autoridades, pesquisadores e conservacionistas informação de alta qualidade, obtida com a aplicação de uma metodologia padronizada, que foi usada em toda a bacia amazônica pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG).

Humberto Gómez, diretor executivo da FAN, explicou que com este resultado se espera abrir espaços de reflexão para futuras pesquisas sobre o tema, "contribuindo às discussões geradas em torno ao desmatamento das florestas no país e para a luta contra este mal".

"Este estudo deve promover o diálogo entre os interessados em nossas florestas, para gerar mais pesquisas sobre métodos para detectar o desmatamento de forma precisa e barata, e para discutir com as autoridades onde se pode e onde não se pode desmatar", disse Humberto.

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