O Globo, Economia, p. 28
23 de Jul de 2009
BNDES vai exigir que gado seja rastreado
Nike diz que não usará couro oriundo da Amazônia
O BNDES anunciou ontem a adesão da instituição ao sistema de rastreabilidade do gado, o que significa que os frigoríficos interessados em captar recursos no banco terão que implementar sistemas de controle da origem do rebanho. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da instituição, Luciano Coutinho, que, no dia anterior, reuniu-se com entidades ambientais para antecipar as novas diretrizes para apoio financeiro à cadeia produtiva da pecuária bovina.
As novas regras prevêem que a rastreabilidade total, do nascimento ao abate, será exigida após 2016 para todos os frigoríficos interessados nos recursos da instituição. A partir de janeiro de 2012, a rastreabilidade mínima exigida será de seis meses. Questionado sobre o volume de recursos que o banco pretende dispor para viabilizar as novas regras, Coutinho disse que "são volumes ilimitados".
- A pecuária brasileira tem que superar o modelo extensivo, que precisa de cada vez mais espaço, aumentando o desmatamento. O setor tem que voltar para áreas degradadas, temos que tornar atraente um modelo intensivo para a pecuária - comentou Coutinho.
O anúncio, no entanto, não agradou o diretor do Greenpeace, André Muggiati, que considerou as metas "pouco ousadas". Ele criticou também o prazo dado pelo banco para a regularização da situação das propriedades rurais, que tem um ano para resolver pendências com licenças ambientais: - É um prazo muito longo, considerando que o governo Lula termina no próximo ano.
O banco está jogando a conta no colo do próximo governo.
O BNDES também irá cobrar dos frigoríficos certificações socioambientais e de qualidade, como ISO 14000, de gestão ambiental. O objetivo do banco é enquadrar a cadeira produtiva da agropecuária. Acusada pelos ambientalistas de ser um vetor do desmatamento, o Ministério da Agricultura deverá anunciar em breve um estudo analisando a responsabilidade do setor no desmatamento da Amazônia.
A Nike anunciou ontem que não usará mais em seus produtos couro proveniente de animais criados na Amazônia.
A empresa vai exigir, por escrito, uma declaração de seus fornecedores atestando que o couro não vem de gado da região e deu um prazo até julho de 2010 para os fornecedores implementarem sistemas de rastreabilidades.
O Globo, 23/07/2009, Economia, p. 28
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