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Autor: Gabriella Weiss
06 de Mai de 2026
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lança nesta quarta-feira (6) uma chamada pública no valor de R$ 40 milhões voltada ao fortalecimento da produção de bioinsumos pela agricultura familiar.
O anúncio será feito pela diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, durante a 3ª Plenária Ordinária do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) de 2026.
A nova chamada integra o programa BNDES Bioinsumos, que apoia cooperativas e associações da agricultura familiar na produção de insumos biológicos. A iniciativa tem como foco a ampliação da produção sustentável, a redução de custos e o incentivo à oferta de alimentos.
Segundo o BNDES, entre 2023 e 2026 foram mobilizados mais de R$ 2,4 bilhões em iniciativas relacionadas à construção de sistemas alimentares, com ações em áreas como agricultura familiar, bioeconomia, acesso à água, abastecimento e inclusão produtiva em diferentes regiões do país.
Produção sustentável e agricultura familiar - Entre os destaques está o Sertão Vivo, que mobiliza cerca de R$ 1 bilhão para agricultores familiares em cinco estados do Semiárido, combinando recursos do BNDES, do Fundo Verde para o Clima (GCF) e do FIDA. A iniciativa promove adaptação às mudanças climáticas, aumento da produção de alimentos e restauração de áreas degradadas, com impacto previsto para cerca de 1 milhão de pessoas.
Ainda no Semiárido, o Sertão + Produtivo, realizado em parceria com a Petrobras, destina R$ 100 milhões ao fortalecimento da produção e comercialização de alimentos saudáveis por empreendimentos coletivos da agricultura familiar. O programa apoia mais de 10 mil agricultores e 230 organizações em 244 municípios. "Segurança alimentar não se resolve com uma ação isolada. É preciso atuar em toda a cadeia: apoiar quem produz, fortalecer cooperativas, ampliar o acesso à água, melhorar o abastecimento e estimular a produção de alimentos saudáveis nos territórios", afirmou Tereza Campello.
No Cerrado, o edital Cerrado + Cooperativo prevê R$ 50 milhões não reembolsáveis para projetos voltados à produção sustentável, agregação de valor, acesso a mercados e ampliação da oferta de alimentos saudáveis. Já o programa Ecoforte apoia redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica em todo o país, fortalecendo a transição agroecológica e a produção de bioinsumos, com recursos do BNDES, da Fundação Banco do Brasil e do Fundo Amazônia.
Amazônia, povos e territórios
Na Amazônia, o programa Amazônia na Escola articula produção da agricultura familiar e alimentação escolar, com R$ 332 milhões em projetos que devem beneficiar mais de 120 mil produtores e alcançar mais de 120 municípios, fortalecendo cadeias locais e o acesso a alimentos saudáveis nas redes públicas de ensino.
O Sanear Amazônia destina R$ 150 milhões para levar água potável, saneamento e tecnologias adaptadas à realidade amazônica a milhares de famílias rurais, promovendo saúde, segurança alimentar e inclusão produtiva.
O Coopera + Amazônia, em parceria com Sebrae, MDIC, OCB e Unicafes, apoia cooperativas da sociobiodiversidade com investimentos superiores a R$ 100 milhões, ampliando produtividade, renda e acesso a mercados.
Já o Florestas e Comunidade: Amazônia Viva, em parceria com a Conab, investe cerca de R$ 96,6 milhões para fortalecer a estruturação socioprodutiva e o abastecimento de produtos da sociobiodiversidade. O programa Naturezas Quilombolas destina R$ 33 milhões para fortalecer a gestão territorial e ambiental de territórios quilombolas, garantindo sustentabilidade dos modos de vida e das atividades produtivas.
Prêmio Fundo Amazônia
Conhecer e Reconhecer vai apoiar 50 iniciativas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, valorizando práticas que já apresentam resultados na proteção dos territórios e na produção sustentável, incluindo ações relacionadas à segurança alimentar. O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES sob coordenação do MMA.
O Banco também apoia a agenda indígena, com projetos que alcançam terras indígenas em toda a Amazônia, e o programa Restaura Amazônia, que mobiliza R$ 450 milhões para recuperação de áreas degradadas no Arco do Desmatamento, integrando produção sustentável, restauração e geração de renda. Além disso, iniciativas de regularização fundiária e fortalecimento institucional somam R$ 433 milhões, beneficiando mais de 40 mil famílias e apoiando a organização produtiva em assentamentos e territórios tradicionais.
Abastecimento, periferias e inclusão produtiva
O BNDES também atua no fortalecimento do abastecimento alimentar, com estudo em parceria com a Conab para modernizar o sistema nacional e aprimorar políticas públicas.
Nas cidades, o programa BNDES Periferias apoia iniciativas em comunidades urbanas voltadas à produção, comercialização e acesso a alimentos saudáveis, além de promover inclusão produtiva e economia do cuidado.
Inovação e autonomia produtiva - Na área de insumos agrícolas, o programa BNDES Bioinsumos apoia cooperativas e associações da agricultura familiar na produção própria de insumos, reduzindo custos e ampliando a autonomia produtiva. O primeiro ciclo já selecionou quatro projetos, e um novo edital de R$ 40 milhões será lançado para ampliar a iniciativa.
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