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BM&F quer estimular mercado de créditos de carbono no Brasil

GM, Saneamento & Meio Ambiente, p. A8
13 de nov de 2003

BM&F quer estimular mercado de créditos de carbono no Brasil

A criação do mercado de créditos de carbono com o Protocolo de Quioto poderá proporcionar bons negócios para os empresários rurais brasileiros. O mercado mundial de créditos de carbono poderá movimentar algo em torno de US$ 4 bilhões por ano, segundo especialistas e o Brasil tem potencial para participar com cerca de 18% deste mercado. Para estimular o mercado, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fez um estudo para avaliar possibilidades deste mercado.
Depois do Protocolo de Quioto, ficou decidido que os países industrializados terão que reduzir emissão de poluentes. Segundo informou o professor Marcelo Theoto Rocha, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), em razão dos gases do efeito estufa (GEE) criou-se a possibilidade de que o Brasil e outros países em desenvolvimento possam vender para nações industrializadas créditos de redução de emissão de remoção de gás carbônico na atmosfera. por meio de projetos de reflorestamento e da co-geração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar.
O pesquisador da USP é profundo conhecedor do tema e tem inclusive uma tese de doutorado denominada "Aquecimento global e o mercado de carbono", sobre o assunto.
Co-geração de energia
Segundo Laura Tetti, consultora da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), entidade que representa os produtores de açúcar e álcool do estado, para o setor sucroalcooleiro do Brasil são enormes as possibilidades criadas pela comercialização de créditos de carbono, "já que foi um dos primeiros segmentos a estruturar negócios internacionais com base na sua produção de energia renovável", diz.
Segundo o pesquisador da USP, o ano base para a redução de emissão de poluentes é 1990. Os Estados Unidos são os que mais poluem e já avisaram que não vão ratificar o protocolo. Mesmo assim, algumas empresas norte-americanas já estão aderindo ao programa por conta de legislações estaduais, como a do estado da Califórnia, que é a favor. Segundo o protocolo, os EUA têm que reduzir em 7% as emissões; a Alemanha, 8%; e o Japão, 6%. O Protocolo de Quioto foi apresentado em 1997 e à época 55 países assinaram o protocolo. Hoje, 117 nações já ratificaram. Sem os EUA, a soma das emissões só atinge 44,2%. Como os americanos não vão aderir ao protocolo, a esperança é de que a Rússia, que está avaliando o caso, faça a adesão, disse.
Trabalho da bolsa
Na avaliação do professor, o Brasil "precisa fomentar esse mercado". Hoje, o mercado de CO2 é estimado entre US$ 2 e US$ 5 a tonelada. Muitas empresas americanas e européias já estão efetuando programas de redução de emissão de poluentes mesmo antes de o Protocolo, previsto para entrar em vigor em seu primeiro período em 2008, iniciar na prática. Como exemplos de programas de crédito de carbono existem as usinas sucroalcooleiras que têm programas de energia limpa e programas de reflorestamento.
O trabalho da BM&F concluiu, entre outros temas que embora não esteja ainda em vigor, o Protocolo de Quioto já está balizando uma série da atividades o que está permitindo o surgimento de um mercado de carbono não-Quioto.
Hoje não existem condições ideais para o estabelecimento de um mercado secundário de carbono no País, porque no Brasil não há o compromisso de redução das emissões, portanto as empresas brasileiras não possuem a necessidade de comprar "créditos de carbono", ou seja, não existe demanda interna.
O papel da BM&F aumenta não só como agente para a organização do mercado físico, como para o desenvolvimento do mercado secundário e de derivativos. Além disso, a bolsa pode usar sua relação com instituições financeiras e órgãos reguladores para reunir esforços para deslanchar o mercado.

GM, 13/11/2003, Saneamento & Meio Ambiente, p. A8

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