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Bloqueios de estradas atingem 7 Estados

OESP, Economia, p. B11
09 de Mai de 2006

Bloqueios de estradas atingem 7 Estados
Fazendeiros ampliam protestos e muitas processadoras de grãos estão paradas, sem matéria-prima

Patrícia Campos Mello

Agricultores já bloqueiam estradas de sete Estados - Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Goiás, Paraná, Tocantins, Rondônia e São Paulo - em protesto contra o dólar baixo, alto preço do diesel e grande endividamento do setor.
Os produtores estão barrando a passagem de caminhões carregados com grãos, combustíveis e insumos agrícolas. Tradings companies como a ADM, Cargill e Bunge continuam bloqueadas e muitas processadoras de grãos estão paradas.
Hoje, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, vai receber em Brasília representantes do movimento e deputados de Mato Grosso, para discutir as reivindicações dos produtores rurais.
"Vamos falar com ele pela milésima vez e apresentar nossa pauta de reivindicações", diz Gláuber Silveira, presidente da Comissão de Crédito da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e um dos coordenadores do movimento.
No dia 16, governadores de 12 Estados serão recebidos pelo presidente Lula para discutir a crise no campo.
Em Mato Grosso, o problema de abastecimento de soja e derivados é crítico. Vários armazéns de soja e fábricas de processamentos estão parados. "As indústrias não têm o que processar", diz Gláuber Silveira.
O movimento começou no dia 18 de abril e foi batizado de Grito do Ipiranga, por causa da cidade onde se originou, Ipiranga do Norte. Eles reivindicam a renegociação das dívidas com juros mais baixos, redução da Cide, PIS e Cofins do óleo diesel, programa de combate à ferrugem asiática, alteração da política cambial, regulamentação do seguro agrícola e reforma da BR-163.
Segundo os agricultores, a renegociação das dívidas de R$ 15 bilhões com bancos oficiais, anunciada pelo governo, não resolve porque os juros são muito altos.
As manifestações estão se ampliando e já atingem os municípios de Rio Verde e Jataí, em Goiás, Rosário, na Bahia, Promissão , no interior de São Paulo, Maringá e Ponta Grossa, no Parañá e Vilhena, em Rondônia. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, são mais de 50 cidades paradas, com adesão das prefeituras.
A cidade de Rondonópolis, uma das principais vias de escoamento da safra de grãos do MT, voltou a ser bloqueada ontem. A fila chegou a 5 mil caminhões na semana passada.
Os produtores usam colheitadeiras para bloquear estradas e impedir a abertura de bancos e armazéns de grãos.
Os bloqueios das tradings ameaçam o cumprimento de contratos de exportação de soja do País. Os produtores estão barrando a saída de caminhões de soja de tradings como a Bunge, ADM e Cargill.
Na semana passada, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, afirmou que processadoras de soja de Mato Grosso, Bahia e Goiás suspenderam as atividades por causa da falta de abastecimento resultante dos bloqueios de agricultores.

OESP, 09/05/2006, Economia, p. B11

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