OESP, Nacional, p. A7
10 de Jan de 2004
Bloqueio acaba e padres reféns são libertados
Leonêncio Nossa
Enviado especial
Depois de isolarem por três dias a capital de Roraima, fazendeiros contrários à criação da reserva indígena Raposa Serra do Sol aceitaram ordem da Justiça Federal e liberaram as pistas de acesso a Boa Vista. Com a decisão do juiz Hélder Girão Barreto de acatar ação do Ministério Público Federal, os manifestantes seguiram em carreata pacífica, por duas horas, para o centro da cidade. O clima em Boa Vista, no entanto, ainda era tenso à noite.
Índios que apóiam os fazendeiros continuavam acampados no prédio da Fundação Nacional do Índio (Funai). Fechados por falta de combustível, os postos voltaram a funcionar. Ao longo do dia, os fazendeiros fizeram manifestações na Praça das Águas. Não foram registrados incidentes na retirada dos tratores e das carretas das rodovias.
O fazendeiro Genor Faccio, um dos líderes do movimento contra a criação da reserva, disse que os manifestantes vão continuar no centro da cidade até receberem do governo garantia de sua permanência na área. "Ficaremos aqui na praça até recebermos uma resposta favorável", afirmou Faccio. Os líderes não se pronunciaram ontem à noite sobre os encontros do governador Flamarion Portela com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Faccio informou que hoje deverá haver reunião para avaliar o resultado das conversas e definir os rumos do movimento.
Inquéritos - A Polícia Federal abrirá inquérito para identificar os responsáveis pelo seqüestro e cárcere privado de três religiosos na aldeia Surumu, contou o procurador Darlan Airton Dias. "Atos violentos, cárcere privado e restrição do direito de ir e vir devem ser reprimidos", disse. Os padres Romildo Pinto de França e Cezar Avellaneda e o missionário Juan Carlos Martinez foram soltos quinta-feira à noite. Ontem, em entrevista, contaram ter sofrido "agressões psicológicas" e ter sentido medo de morrer.
Também será investigada a morte, perto de um bloqueio, de um morador de Boa Vista que vinha de Manaus em ambulância. Segundo a liderança do movimento, ambulâncias, carros oficiais e com produtos perecíveis tiveram livre acesso desde o início do protesto. "Ainda assim, é preciso saber as circunstâncias da morte", disse Dias.
O procurador entrou ontem com ação de reintegração de posse da sede da Funai. Quinta-feira, conseguiu na Justiça retirar os invasores do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Dias disse que a Advocacia-Geral da União tinha se comprometido a entrar com ação, mas acabou se "omitindo". Segundo Edilson Macuxi, um de seus coordenadores, os índios acampados na Funai decidiriam ontem à noite se ficariam no local.
OESP, 10/01/2004, Nacional, p. A7
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