Cimi-Brasília-DF
28 de Out de 2004
"Voltei preocupado". "Estou muito triste com o que estão fazendo com este país". "Se deixarmos essa situação assim, vamos pagar para a toda a eternidade por um crime pesado". As falas de Dom Jayme Henrique Chemello, que voltou hoje (dia 28) de uma visita a Roraima e à terra indígena Raposa/Serra do Sol, demonstram a preocupação do bispo com os entraves para a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol e a ameaça que isto significa para a sobrevivência dos povos indígenas da região. "É uma questão humana", afirma.
Dom Jayme se mostrou preocupado com a aproximação do prazo para o cumprimento das decisões liminares que determinam a retirada dos índios das terras que ocupam, reconhecendo aos arrozeiros a posse das fazendas. Em alguns casos, o prazo para a retirada de indígenas das terras reivindicadas pelos fazendeiros é amanhã, dia 29.
O bispo conversou com o Juiz Federal Helder Girão, que tem acatado os pedidos de reintegração de posse dos fazendeiros, e questionou essas decisões que afetam as malocas (comunidades) indígenas: "Quem avançou ali foram os fazendeiros", afirma Dom Jayme.
Durante a visita, Dom Jayme esteve em Boa Vista, capital do estado. O bispo conta ter ficado impressionado com o sentimento antiindígena que viu difundido na cidade. "Vêem os índios como a causa da miséria do Estado".
Dom Jayme Chemello é bispo de Pelotas e presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Ele esteve em Roraima acompanhado do Arcebispo de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira. A viagem teve o objetivo de olhar de perto a situação dos povos indígenas da região e gerou encontros também com a Superintendência local da Polícia Federal e com o governador de Roraima.
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