VOLTAR

Bispos vão pedir homologação rápida

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
27 de Out de 2004

A demarcação da área indígena Raposa/ Serra do Sol será discutida ainda esta semana no encontro que acontecerá em Brasília entre bispos de seis países. A intenção é apressar a homologação da reserva em área única.
A notícia foi dada na tarde de ontem pelo arcebispo de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, aos coordenadores das pastorais da Igreja Católica, em reunião na Casa João XXIII. Aproximadamente 60 pessoas entre padres e missionários participaram da reunião com o bispo Dom Jayme Henrique Chemello, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia e Dom Luiz Henrique Soares, que estão em visita a Roraima.
Na reunião, Dom Luiz levantou a questão indígena de Roraima, que segundo ele, já é conhecida pela igreja. O que causa apreensão - disse - é o rumo que as coisas estão tomando, tornando a situação preocupante. A demora na homologação da reserva está gerando tensão no Estado inteiro.
Durante a reunião, ele elogiou a aliança entre índios, produtores rurais e moradores dos centros urbanos na campanha Nós Existimos. E afirmou que a igreja fará o que puder para que demarcação da reserva seja feita em área única, inclusive buscar uma forma de não deixar que os índios sejam retirados de suas áreas.
Dom Luiz comparou a divergência existente entre índios e não índios com a luta travada entre Davi e Golias. "Mas tenho certeza que vamos resolver esta situação o mais rápido possível. Mais cedo do que se imagina", disse.
SEQÜESTRO - Antes da reunião com os coordenadores de pastorais, Dom Luiz e Dom Jayme Henrique Chemello estiveram na sede da Polícia Federal para conversar com o superintendente Francisco Mallmamm.
O motivo da visita foi obter informações sobre o andamento do inquérito que apura o seqüestro do missionário Carlos Martinez e dos padres Ronildo Pinto França e César Vellaneda, ocorrido no dia 6 de janeiro deste ano.
O fato aconteceu na Vila Surumu, Município de Pacaraima, quando cerca de 100 índios invadiram a Missão e fizeram os três de reféns. Na época a Polícia Federal enviou uma equipe à região para negociar a liberação dos religiosos.
DEMORA - Na reunião, Mallmamm expôs as dificuldades na estrutura da Polícia Federal para dar continuidade a apuração dos fatos. Devido a carência de profissionais, o processo demora mais que o esperado. "O processo já passou pela mão de três delegados. Esperamos que o Governo Federal dê condições para que a Polícia Federal possa trabalhar", reclamou Dom Luiz.
E complementou: "Roraima é um Estado complicado. É preciso que se encontrem caminhos. Um debate sério entre a sociedade talvez resultasse em um acordo que beneficiasse a todos. A sociedade somente vai encontrar a paz quando der uma solução para estes problemas", complementou.
JUSTIÇA - Na noite de ontem, a Polícia Federal informou que o inquérito sobre o seqüestro dos missionários encontra-se na Justiça Federal e tão logo volte para a superintendência, as investigações vão continuar.
Segundo o delegado da Polícia Federal, Dércio Carvalheda, a demora na apuração ocorre devido a oitiva de todas as pessoas envolvidas no caso. Não foi possível um contato com o delegado que preside o inquérito.
COLETIVA - O bispo Dom Jayme Henrique Chemello não quis se pronunciar antes da coletiva com a imprensa que acontecerá hoje. Antes da coletiva marcada para as 16h, Dom Luiz e Dom Jayme visitam áreas indígenas. (T.B.)

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.