OESP, Nacional, p.A10
13 de Out de 2005
Bispo quer resgatar Lula, ´seqüestrado pelo capital´
D. Cappio diz que greve de fome também teve objetivo de ´ajudar presidente a ser um homem para os pobres´
Ricardo Brandt
O bispo franciscano Luís Flávio Cappio, que há seis dias venceu sua primeira batalha com o governo federal nas negociações sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco, ao assinar um acordo após 11 dias de greve de fome, chama a atenção agora para outro aspecto de sua causa: o 'resgate' do presidente Lula daquilo que ele trata como o 'cativeiro do capital'.
'O meu gesto (a greve de fome) não é uma manifestação política partidária contra o presidente. Meu gesto é uma tentativa de ajudar o presidente Lula a se resgatar desse confinamento em que ele está preso, nesse seqüestro do capital.'
Nessa empreitada, que deve dar poucos resultados práticos, mas pode trazer ainda mais dor de cabeça para Lula, d. Luís Flávio afirmou que sua intenção é ajudar. 'Eu quero ajudar o senhor presidente a resgatar a sua premissa de ser um homem para os pobres.'
As afirmações foram feitas logo antes de ele rezar uma missa na Igreja de São Francisco de Assis, em São Paulo. D. Luís Flávio afirmou ainda que confia no governo Lula para a abertura nas discussões sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco. 'Quando se senta numa mesa de negociação é preciso que se tenha o mínimo de confiabilidade', explicou. 'E espero que o presidente tenha a mesma honorabilidade de saber respeitar aquilo que foi firmado.'
O acordo, segundo ele, é de que o projeto não ande enquanto não for aberto amplo debate sobre o assunto. Para d. Luís Flávio, o projeto não atende às necessidades dos mais pobres.
O bispo ainda se defendeu das acusações de que sua atitude, de fazer greve de fome até a morte, seria equivalente ao suicídio. Segundo ele, 'o bom pastor é aquele que dá a vida por suas ovelhas'. 'Quando Jesus disse isso ele não estava recitando uma poesia', disse.
O bispo está em São Paulo desde segunda-feira, recolhido em um convento, onde se recupera dos 11 dias de jejum. Segundo seu sobrinho Guto Cappio, ele tem sofrido mais durante essa fase de recuperação, do que quando estava em jejum. 'Ele tem sofrido, pois o organismo demora a se adaptar novamente aos alimentos', disse. ?
OESP, 13/10/2005, p. A10
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