OESP, Nacional, p. A13
04 de Dez de 2007
Bispo ganha apoio em protesto contra obra no São Francisco
Missa celebrada por d. Luiz Cappio, em greve de fome, atraiu mil pessoas
Roldão Arruda e Tiago Décimo
Estão aumentando as manifestações de solidariedade à greve do bispo Luiz Flávio Cappio, que deixou de comer há uma semana em protesto contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. No domingo à noite, cerca de mil pessoas foram à missa que o bispo celebrou diante da Capela São Francisco, em Sobradinho, interior da Bahia, onde ele está instalado desde 27 de novembro.
No sermão, o bispo disse que o jejum é um alerta para a necessidade de lutar pela preservação do São Francisco e, se preciso, "dar a vida por ele, retribuir a vida que sempre nos deu." Ontem, d. Luiz reafirmou a disposição de continuar com o protesto "até o fim" e contou que ainda não houve contato dos governos federal e estadual. "Tenho recebido diversas manifestações de apoio das comunidades locais, o que alimenta minha fé de que vamos chegar a um acordo."
De manhã, segundo o movimento Articulação São Francisco Vivo, ele recebeu a visita de estudantes de São Paulo, Ceará e Mato Grosso. Em diversas regiões do País, pessoas ligadas a organizações católicas estão jejuando por um ou dois dias, em solidariedade a d. Luiz.
Durante todo o dia de ontem, quatro mulheres estiveram em jejum ao lado do bispo. Para hoje está prevista uma caminhada entre a capela e as margens do Rio São Francisco. Também foram agendados atos de solidariedade em Goiânia e Belo Horizonte. A organização sindical Conlutas, ligada ao PSTU, distribuiu nota de apoio ao bispo, na qual acusa o governo Lula de beneficiar os inimigos do São Francisco: "Lula governa para os destruidores da natureza, latifundiários, grandes empresários e representante do capital."
À tarde, médicos examinaram d. Luiz, que tem 61 anos, e constaram que seu estado de saúde é bom. "Disseram que o coração dele vai muito bem", explicou a assessora Clarice Mais.
Desde dia 27, d. Luiz só bebe água, em intervalos de 15 a 20 minutos. Nesse período perdeu cerca de 3,5 quilos. Ontem ele passou a ser acompanhado por um médico e uma nutricionista. Além disso, uma ambulância da Prefeitura de Juazeiro, com enfermeira, motorista de plantão e equipamentos de emergência, foi enviada ao local.
Esta é a segunda vez que d. Luiz jejua contra o projeto que Lula pretende inaugurar até o fim do mandato. Na primeira vez, em 2005, ficou sem comer durante 11 dias. Interrompeu o protesto depois da promessa do governo de rediscutir o projeto e promover a recuperação do rio. Ao reiniciar a greve, ele enviou uma carta a Lula dizendo que ele não cumprira a palavra.
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, tem contestado o bispo, afirmando que o governo cumpriu o prometido. Ele disse ao Estado que já foram abertas licitações para projetos de recuperação do rio em quase toda a sua extensão.
OESP, 04/12/2007, Nacional, p. A13
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