OESP, Nacional, p. A11
12 de Dez de 2007
Bispo comemora bloqueio de obras do São Francisco
Mas d. Luiz mantém greve de fome, que já completou duas semanas
Tiago Décimo
O bispo de Barra, d. Luiz Flávio Cappio, completou ontem duas semanas de jejum e comemorou a decisão tomada na véspera pelo desembargador Antônio Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, que suspendeu liminarmente as obras de transposição do Rio São Francisco. "A liminar aumenta nossa esperança, aponta para um final feliz, mas temos de ver como o governo vai se comportar diante dela", argumentou d. Luiz, frisando que, por ora, mantém o protesto contra a obra.
A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizaria uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a decisão. O governo argumenta que o STF havia concentrado, por decisão do ex-ministro Sepúlveda Pertence, todas as ações sobre transposição, pois há conflitos de interesses envolvendo vários Estados.
Segundo o Ministério Público Federal, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) não poderia ter aprovado o projeto. O conselho teria cometido irregularidades na avaliação da obra, como violação do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do São Francisco e impedimento da participação popular no projeto. "Foram praticados atos de efeitos concretos, com reflexos negativos tanto no meio social como no meio ambiente, que já vem suportando danos irreversíveis", diz o pedido.
MILITARES
O bispo explicou por que manteve o protesto: "Soubemos que hoje o contingente de militares nos canteiros de obras foi aumentado e eles trabalharam durante dez horas, ignorando a liminar. Sigo em jejum e oração, então, até que haja a retirada do Exército e a suspensão do projeto de transposição", justificou.
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, disse que aguardava ser oficialmente notificado sobre a decisão antes de paralisar as obras.
D. Luiz admitiu ontem que o prolongado jejum começa a causar prejuízos à sua saúde. "Fisicamente, me sinto bastante debilitado", relatou. O religioso passou por uma avaliação médica, pela manhã, e o seu estado foi considerado "normal".
Estiveram ontem em Sobradinho, para manifestar solidariedade ao bispo, a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) e o coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile. "Vamos nos engajar cada vez mais nesta luta, que é de todo o povo", disse Stédile.
OESP, 12/12/2007, Nacional, p. A11
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