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Biólogo do Butantã tenta enviar animais pelo correio

OESP, Vida, p. A16
25 de Abr de 2006

Biólogo do Butantã tenta enviar animais pelo correio

Ricardo Westin

Um biólogo do Instituto Butantã está sendo investigado pela Polícia Federal por ter tentado enviar ilegalmente um frasco com onicóforos (animais intermediários entre as minhocas e as centopéias) para a Alemanha.

Os animais foram detectados no início do mês pelos aparelhos de raio X da Receita Federal na agência central dos Correios de São Paulo. Os 13 exemplares, mortos, estavam mergulhados numa solução que os manteria intactos durante a viagem.

O remetente era o biólogo Carlos Jared; o destinatário, seu colega Hartmut Greven, do Instituto de Zoomorfologia da Universidade de Dusseldorf. Há duas semanas, o brasileiro e o alemão publicaram juntos um artigo na revista científica Nature.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou o biólogo do Butantã em R$ 16.500 por coleta de animal silvestre sem autorização e tentativa de envio de material genético para o exterior.

O Ibama suspeita de biopirataria - o contrabando de recursos naturais para o desenvolvimento no exterior de remédios e cosméticos, por exemplo. O instituto não sabe se os onicóforos despertam o interesse de laboratórios, mas chama a atenção para o fato de que eles têm um sistema de defesa ainda pouco conhecido: quando se sentem ameaçados, expelem uma substância que, em contato com o ar, se transforma numa teia que gruda no predador.

O Butantã, que é ligado ao governo de São Paulo e é o maior fabricante de vacinas do Brasil, informou que os animais não fazem parte do seu acervo de pesquisa e que abrirá uma sindicância para apurar o episódio. Criticou o Ibama por querer transformar o centro de pesquisas em "objeto de matérias policiais".

O Butantã informou que Jared não comentaria o caso.

OESP, 25/04/2006, Vida, p. A16

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