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Bioeconomia e urgência: veja o que uma reunião de ministros de países da América Latina discutiu sobre a Amazônia

O Globo - https://oglobo.globo.com/
30 de Jan de 2026

Bioeconomia e urgência: veja o que uma reunião de ministros de países da América Latina discutiu sobre a Amazônia
Em evento do CAF no Panamá destacam riqueza natural da floresta como vantagem competitiva. Ambientalista alerta que AL pode deixar de ser a maior provedora de alimentos do mundo

30/01/2026

Cássia Almeida e Thaís Barcellos

A Amazônia foi a protagonista no debate sobre mudanças climáticas realizado ontem no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá, com ênfase na urgência da conservação da floresta que está presente em nove países da América do Sul: Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname, Equador, Guiana Francesa e Brasil. Os ministros e ambientalistas presentes destacaram o potencial bioeconômico da região e a necessidade de preservação da mata, principalmente por seu impacto nos extremos climáticos.

Para Rachel Biderman, vice-presidente sênior para as Américas da organização não-governamental Conservação Internacional, se os países da região não conseguirem manter pelo menos 80% da floresta conservada - 17% já foram desmatados -, a América Latina corre sérios riscos de perder a posição de maior provedora de alimentos do mundo.

- Estamos chegando ao ponto de não retorno. Entendemos que até 2030 será possível ter uma mudança, mas os recursos públicos e de organismos multilaterais sozinhos não são suficientes.

O ministro panamenho do Ambiente, Juan Navarro, disse que é preciso deixar de ver os recursos naturais e sua conservação como "atividades opcionais":

- É o contrário. A riqueza natural é a grande vantagem competitiva da região, principalmente num mundo globalizado e competitivo como o de hoje - disse Navarro, destacando que o próprio Canal do Panamá depende de água doce e "quando não há chuva, há extremos climáticos, e o canal não pode funcionar em sua plenitude".

Registro de patentes
Inés Manzano, ministra de Energia do Equador (que tem em seu território a Amazônia, os Andes e Galápagos), diz que seu país tem investido em desenvolver patentes.

- O Equador tem a maior diversidade , mas não tem nenhuma patente registrada em bioinsumos. Queremos incentivar a bioeconomia - disse Inés, acrescentando que a preocupação do país inclui os recursos hídricos, o que é de especial interesse do Brasil.- Temos afluentes que desembocam no Rio Amazonas. O que eu decido no Equador, permitindo atividades sem controle , como mineração, sem combater o garimpo em áreas protegidas, isso impacta Peru, Colômbia e Brasil. Como o presidente Lula afirmou aqui na quarta-feira, mesmo com diferenças ideológicas e distintas politicamente, somos todos como um bloco. Se for diferente, não funciona.

Rachel defendeu o mercado de carbono e lembrou que o Panamá já é "carbono negativo". Ela citou modelos de produção sustentável de palma na Amazônia, desenvolvido com as comunidades da região, como soluções para desenvolver a bioeconomia. Raquel lembra que o Brasil tem investido em produtos de exportação da Amazônia, com 29 commodities para exportação, como açaí, castanha-do-pará, cacau e dendê.

Para Inês Manzano, avanços dependem da participação das comunidades locais:

- A pedra fundamental vai ser o diálogo com as pessoas que vão se beneficiar ou que terão de restringir suas atividades em nome da conservação.

Gustavo Manrique, ex-ministro de Ambiente do Equador, comparou a riqueza natural dos países da região com a das nações desenvolvidas.

- Nossa moeda é a biodiversidade. O desafio é como dar valor a ela viva.

Raquel alertou para o garimpo ilegal e afirmou que um terço do território está tomado por facções criminosas que não permitem que as atividades legais avancem.

Empresários aproveitam evento para buscar novos mercados
Com dez anos de experiência no comércio exterior, a Amazon Polpas tomou um susto em 2025. O tarifaço de 50% sobre produtos enviados aos EUA, seu principal comprador, ameaçava o faturamento da empresa que vende açaí. O presidente americano, Donald Trump, acabou recuando da taxação, e a exportadora paraense conseguiu, inclusive, aumentar a venda para os americanos.

Ontem, a Amazon Polpas se juntou a mais de 250 empresas de pequeno e médio porte da região em uma roda de negócios organizada pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), na capital panamenha.

- O tarifaço fez com que a direção da empresa investisse na cultura de negociações fora do país, em busca de novos compradores, para que não ficássemos presos só aos EUA - explica Julian Araújo, analista de Exportação da Amazon Polpas.

- Nossa moeda é a biodiversidade. O desafio é como dar valor a ela viva.

Raquel alertou para o garimpo ilegal e afirmou que um terço do território está tomado por facções criminosas que não permitem que as atividades legais avancem.

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Com dez anos de experiência no comércio exterior, a Amazon Polpas tomou um susto em 2025. O tarifaço de 50% sobre produtos enviados aos EUA, seu principal comprador, ameaçava o faturamento da empresa que vende açaí. O presidente americano, Donald Trump, acabou recuando da taxação, e a exportadora paraense conseguiu, inclusive, aumentar a venda para os americanos.

Ontem, a Amazon Polpas se juntou a mais de 250 empresas de pequeno e médio porte da região em uma roda de negócios organizada pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), na capital panamenha.

- O tarifaço fez com que a direção da empresa investisse na cultura de negociações fora do país, em busca de novos compradores, para que não ficássemos presos só aos EUA - explica Julian Araújo, analista de Exportação da Amazon Polpas.

Apesar de importante, o comércio na região tem crescido em ritmo menor do que o intercâmbio para fora. Segundo Constanza , há três gargalos principais para o crescimento do comércio intrarregional: acordos comerciais defasados ou limitados; integração física e de infraestrutura; e diplomacia empresarial.

O Fórum Econômico América Latina e Caribe é uma realização do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e tem parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/01/30/bioeconomia-e-urge…

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