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Autor: Alice Marcondes
21 de Mai de 2010
Educar consumidores é passo necessário para um padrão de consumo menos nocivo à nossa biodiversidade. A certificação é uma das principais ferramentas para esta conscientização. Estas são algumas das conclusões obtidas na conferência "Abastecimento com Respeito" ("Sourcing with Respect"), realizada nesta quarta feira (19) pela Natura, em parceria com a União para um Biocomércio Ético (UEBT). O evento discutiu, entre outros temas, a importância do compartilhamento de benefícios, práticas éticas para o comércio de ativos da biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais.
O UEBT é uma organização internacional sem fins lucrativos que promove a utilização ética dos ingredientes oriundos da biodiversidade. Ao associarem-se a UEBT as empresas se comprometem a assegurar gradativamente que suas práticas de abastecimento promovam a preservação do meio ambiente, respeito aos conhecimentos tradicionais, e a garantia de repartição dos benefícios ao longo de sua cadeia produtiva. Entre seus membros fundadores estão a Natura, a União Internacional para a Conservação da natureza (IUCN), a Corporação Internacional de Finanças (IFC) e a Phyto Trade Africa. Atualmente a associação conta com cerca de 20 empresas ao redor do mundo.
O ano de 2010 foi nomeado pela ONU o Ano Internacional da Biodiversidade, "O tempo de agir é agora" declarou Maria Cecília Wey de Brito, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. Experiências de algumas associadas do UEBT, exibidas no evento, mostraram que muitas empresas já estão agindo e colhendo frutos. Casos bem sucedidos como o da Natura, que no último ano teve uma receita bruta de R$ 5,8 bilhões e utiliza em sua cadeia de abastecimento práticas éticas, valorizando o trabalho das comunidades e realizando o compartilhamento de benefícios, mostra que preservar os ecossistemas além de ser essencial para a qualidade de vida em nosso planeta, pode ser também um negócio lucrativo.
A sul africana Phyto Trade Africa, associada a francesa Aldivia Plants And Inovation, realiza um trabalho parecido. Para produzir seus óleos, entre outros produtores primários, utilizam a mão de obra de seis mil mulheres na Namíbia, praticando também o compartilhamento de benefícios, seja gerando empregos para as comunidades ou dando mercado aos seus produtos." È um negócio lucrativo", garantiu Gus Le Breton, Diretor Executivo da Phyto Trade.
No evento foram também divulgados os resultados da pesquisa "Barômetro UEBT 2010". Realizada na Alemanha, França, Reino Unido, EUA e Brasil. O levantamento avaliou o conhecimento dos consumidores sobre biodiversidade e apresentou dados positivos para o nosso país. Enquanto na Alemanha somente 38% dos entrevistados informaram já ter ouvido falar de biodiversidade, no Brasil este índice foi de 92%, o maior entre todos os países pesquisados. Dentre estas pessoas 47% definiram o termo corretamente. Quando o assunto é biopirataria, também saímos na frente, 73% dos que responderam a pesquisa disseram saber o que é, contra apenas 23% nos EUA e Europa. O único item em que ficamos para trás foi o conhecimento do comércio justo, 79% dos brasileiros declararam conhecer o termo, já nos EUA e Europa este índice sobre para 94%. Foram entrevistadas 5000 pessoas, sendo 1000 em cada país. A coleta dos dados foi realizada através internet. Para conferir a pesquisa completa acesse: http://www.ethicalbiotrade.org/conferences/dl/UEBT_BIODIVERSITY_BAROMET…
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