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Biodiversidade amazônica é alternativa para enfrentar crise econômica

Portal Amazônia - http://portalamazonia.com
Autor: Ítala Lima
08 de Jul de 2015

Cientistas afirmam que a biodiversidade é um setor de vanguarda para o futuro do Amazonas

Para especialistas e pesquisadores da socieconomia, a biodiversidade da Amazônia e sua exploração sustentada é uma promissora alternativa para a região fugir da recessão econômica que o Brasil vivencia. Campo fértil de recursos naturais, o interior do Amazonas tem ganhado a atenção de um grupo de estudiosos do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa/MCTI). Os cientistas acreditam que as regiões mais isoladas podem criar um novo ciclo econômico para o Estado.

"A biodiversidade é um setor de vanguarda para o futuro do Amazonas e o desenvolvimento das regiões interioranas contribuem fortemente para isso. É preciso investigar quais regiões daqui teriam os recursos da biodiversidade para realizar investimentos em áreas, como por exemplo, a indústria de cosméticos, biotecnologia, turismo ecológico e fármacos", afirmou o especialista em desenvolvimento regional e economista, Osiris Messias da Silva. O profissional realizou uma exposição sobre o tema nesta quarta-feira (8), em um encontro do Grupo de Estudos Amazônicos (GEEA).

Para Silva, as comunidades tradicionais tem papel fundamental neste processo." Quando você fala da exploração da biodiversidade recursos da biotecnologia, turismo ecológico... a base de ação é o interior da Amazônia". No caso dos setores de cosméticos e fármacos, fica claro o potencial que estes têm de demandar cada vez mais ingredientes da biodiversidade. O especialista vê nas plantas da Amazônia um vasto material para o setor de medicamentos. No caso dos cosméticos, pequenos produtores e povos indígenas teriam a participação nesta nova alternativa econômica.

Sancionada no dia 20 de maio, o novo Marco Legal da Biodiversidade, já definiu regras para acesso aos recursos da biodiversidade por pesquisadores e pela indústria. Regulamenta ainda, o direito dos povos tradicionais. Segundo informações divulgadas pelo Senado Federal, a lei determina a criação do fundo de repartição de benefícios, que deverá garantir repasses para as comunidades tradicionais.

Silva enfatizou também a ausência de incentivos no setor primário, onde os recursos da biodiversidade amazônica apresentam grande potencial para abastecer o mercado local. "Não temos desenvolvimento agropecuário, não temos campo, produção de alimentos". Em um comparativo com a produção nacional, a Amazônia produz menor quantidade de culturas oriundas daqui, este é o caso do guaraná. "A região baiana produz três vezes mais guaraná que o Amazonas, isso acontece por falta de preparo dos produtores. Outro exemplo, é o cacau, que está à frente do mercado mundial. Enquanto o Pará consegue produzir quase 60 mil quilos, o Amazonas tem uma produção artesanal, com 3.200 quilos. A produção do Amazonas é ínfima, mas aqui no temos potencial para produzir esta cultura", disse.

Polo Industrial de Manaus

O recurso da biodiversidade configura-se como alternativa para gerar mais sustentabilidade econômica ao Amazonas, sobretudo nos momentos de crise. "O Polo Industrial de Manaus sofre consequências diretas da recessão econômica do país. E quando um setor esta em crise, o outro apoia". Silva explica que o ciclo da economia não pode apenas depender da Zona Franca de Manaus e do PIM. "A ZFM corresponde cerca de 98% da arrecadação tributária econômica do Estado, numa crise dessa, o interior não responde por nada".

O especialista reforçou que o PIM, em termos de competitividade mundial ,não evolui por que as ofertas são limitadas. "A economia do Estado é altamente afetada por essa crise, porque basicamente, o Amazonas não tem setor primário. Nos só dependemos de um setor. E ficamos muito mais vulneráveis".

Durante o debate, os pesquisadores defenderam que o estado tem que assumir um papel mais contundente, com a integração de órgãos de pesquisas e especialistas para transformar em realidade uma economia baseada nos recursos da biodiversidade.

O GEEA

Criado com o objetivo de constituir um fórum permanente e multidisciplinar para a análise de questões relevantes para a Amazônia e a socialização da ciência através de uma linguagem acessível a todo cidadão interessado, o grupo é formado por pesquisadores, professores, empresários, humanistas e gestores que se reúnem geralmente a cada dois meses para debater um tema escolhido previamente e apresentado por um especialista de renome.

No dia 1o de julho foi lançada a nova edição do 'Caderno de Debates do GEEA - Tomo VII', que reúne cinco temas relevantes para o desenvolvimento da Amazônia discutidos pelo grupo: 'Processo cultural da Amazônia'; 'Plantas alimentícias não-convencionais'; 'Toxinas: explorando a biodiversidade para o bem e para o mal'; 'Música e poesia na Amazônia' e 'Ciência, tecnologia e inovação na Amazônia'. O livro foi organizado pro Mendes e pelo pesquisador Adalberto Val.

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