GM, Energia, p. A1 e A8
13 de Jul de 2004
Biodiesel atingirá grande escala com fábricas da Dedini
Parceria com a italiana Ballestra garante a tecnologia. A Dedini S/A Indústrias de Base, líder nacional no fornecimento de usinas de açúcar e álcool, formaliza hoje acordo comercial com a empresa italiana Ballestra para venda de unidades industriais destinadas à produção de biodiesel em larga escala no País. O anúncio será feito durante a abertura do Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec), em Piracicaba (SP).
A parceria com a Ballestra prevê a transferência de tecnologia para montagem de unidades industriais formatadas para produção continuada do combustível a partir de vários tipos de biomassa. O acordo é estratégico, segundo o vice-presidente de operações da Dedini, José Luiz Olivério. É o primeiro consórcio formado para fornecimento de usinas produtoras de biodiesel em escala industrial, acima de 40 milhões de litros por ano.
As duas empresas se preparam para atender ao mercado brasileiro do combustível que deve surgir a partir de novembro. É nesse mês que o governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, pretende definir o marco regulatório com os fundamentos do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel.
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) deverá editar as portarias que reconhecem oficialmente o produto como combustível. Para isso, a regulamentação definirá especificações do produto, estruturará a cadeia produtiva e apresentará os critérios para tributação e fiscalização.
Na primeira fase, a mistura de 2% de biodiesel sobre o diesel produzido a partir do petróleo será facultativa. O percentual de mistura foi definido como o máximo possível para as configurações dos motores em uso hoje no Brasil. Mesmo assim, a Dedini acredita que o programa seja o pontapé inicial para a criação deste mercado no País.
A autorização para a mistura vigora a partir de janeiro do próximo ano. Tomando como base a demanda brasileira de diesel atual, a determinação cria um mercado potencial de 720 milhões de litros de biodiesel por ano. Mas a aposta da Dedini é bem mais ousada. A expectativa é que, em 2020, o Brasil poderia chegar a uma mistura de 20% de biodiesel, o que significa uma demanda de aproximadamente 13 bilhões de litros do biocombustível por ano.
Biodiesel atingirá grande escala...
Piracicaba (SP), 13 de Julho de 2004 - Parceria da Dedini com a italiana Ballestra garante a tecnologia. Este volume equivale ao que o Proálcool é hoje. No ano passado, a produção de álcool combustível no Brasil alcançou um volume de 14,5 bilhões de litros. "O Brasil poderá ter um negócio com as mesmas dimensões que programa nacional do álcool, e é nisso que a Dedini aposta", afirma José Luiz Olivério, vice-presidente de operações da empresa, que projeta um faturamento de R$ 450 milhões neste ano - cifra puxada pelos mercados de equipamentos inoxidáveis e usinas de açúcar e álcool. O governo ainda não fala em percentuais e metas de longo prazo para o biodiesel.
A novidade da tecnologia que será apresentada hoje está na flexibilidade do uso do combustível vegetal. O modelo é diferente da primeira unidade que foi comercializada pela Dedini há alguns meses. A corporação vendeu para a Agropalma, localizada em Belém (PA), a primeira unidade para produção comercial de biodiesel. A diferença do modelo que será ofertado pela Dedini e pela Ballestra agora é que o projeto anterior previa a produção por batelada, em volumes pequenos. Num negócio de US$ 1 milhão, a Agropalma fechou um contrato com a Dedini para fornecimento de uma usina com capacidade final de 8 milhões de litros por ano.
A tecnologia da italiana Ballestra tem como princípio a produção continuada por rota etílica, ou com uso do etanol (álcool) como reagente na conversão do óleo vegetal em combustível. A planta vendida para a Agropalma produzirá tanto com etanol quanto com metanol, dada a distância do Pará dos principais estados produtores de álcool.
Outra diferença importante é a escala de produção. "A idéia foi chegar a uma configuração que pudesse produzir volumes capazes de atender à demanda que será criada pelo Programa Nacional de Biodiesel", afirma Olivério. Para isso, Ballestra e Dedini ofertarão ao mercado quatro configurações diferentes de usinas. As unidades industriais por batelada têm capacidade de até 40 milhões de litros por ano. As usinas de produção continuada terão configurações de 40, 60, 80 e 100 milhões de litros por ano. "São plantas com estas dimensões que terão condições de assegurar oferta de biodiesel para o mercado que será criado no Brasil e que, num segundo momento, poderá atender ao mercado de exportação", avalia Olivério.
A Dedini acha que, a partir do segundo ano do programa, o mercado estará pronto para absorver a produção de unidades industriais com estas dimensões. O volume de encomendas de unidades inteiras ainda não foi dimensionado pela empresa. Em princípio, a expectativa é que este mercado inicie a expansão a partir de 2007.
Biomassa regional
Um dos pontos importantes da nova tecnologia será a flexibilidade da unidade industrial, ou a capacidade de ajustar a produção ao tipo de oleaginosas produzidas regionalmente. Com a tecnologia, a unidade industrial poderá operar com vários tipos de biomassa como palma, mamona, soja, girassol, amendoim ou caroço de algodão. Isso assegura a viabilidade de unidades industriais em regiões produtoras de algum tipo de oleaginosas. O Brasil é hoje o maior produtor de soja do mundo, com um volume anual de 50 milhões de toneladas por ano. A produção de biodiesel pode criar uma nova opção de mercado para a soja brasileira.
Um aspecto importante é a questão de custo do biodiesel. A promessa do consórcio, liderado pela Dedini, é a oferta de um produto 20% mais barato que o diesel de petróleo. "Os valores serão fechados até o anúncio, mas há garantias de que o produto será competitivo ante o diesel", assegura Olivério. A unidade negociada com a Agropalma, que converterá o resíduo do refino do óleo de palma para produção de biodiesel, conseguirá colocar o produto a um valor de R$ 1 o litro no mercado.
O acordo entre Dedini e Ballestra prevê duas formas de remuneração da italiana: royalties sobre o preço líquido de venda da unidade industrial e pagamento por trabalhos de engenharia que devem ser demandados em cada usina. A engenharia de processo, que define como a produção será feita, está sob a responsabilidade da Ballestra. A engenharia básica, a fabricação e montagem serão de responsabilidade da Dedini.
GM, 13/07/2004, Energia, p. A1 e A8
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