O Globo, Economia, p. 22
16 de Jun de 2004
Biocomércio da Amazônia tem apoio de acordos
Soraya Aggege
O Brasil fechou ontem dois acordos para incrementar o bionegócio, ou seja, o comércio de produtos da biodiversidade, principalmente da Amazônia. Os dois programas foram selados pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) e o Ministério do Meio Ambiente O principal deles, o Programa Nacional de Biocomércio, deve movimentar cerca de US$ 5 milhões nos próximos cinco anos. A verba ainda será levantada. O outro é um acordo-marco da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), para incentivar a exportação de produtos dos oito países amazônicos que integram o organismo. Ainda não há financiamento previsto para os programas da OTCA, que começam a ser elaborados a partir deste acordo fechado ontem.
Biocomércio precisa criar mercado, diz Ricupero
Os acordos são, na realidade, um primeiro passo efetivo para o chamado biotrade , ou biocomércio. Há quase uma década, o Brasil tenta incrementar o comércio sustentável da biodiversidade, considerado o principal potencial para os países em desenvolvimento. No entanto, até hoje não existe sequer um levantamento técnico a respeito do potencial real sobre as possíveis exportações brasileiras dos biodiversos, nem dos demais países amazônicos, segundo a secretária da OTCA, Rosalía Arteaga Serrana, ex-presidente do Equador.
- Não temos mesmo um levantamento do potencial, mas talvez agora (com os acordos) isso seja incrementado - avaliou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Segundo o secretário-geral da Unctad, embaixador Rubens Ricupero, os países precisam "colocar muita energia" no biocomércio, porque é preciso criar mercados para os produtos da biodiversidade. Esses produtos vão desde o açaí e o cupuaçu, até o marfim-vegetal (semente que lembra o marfim, encontrada na Floresta Amazônica), que o Equador exporta, graças ao programa da Unctad.
O Globo, 16/06/2004, Economia, p. 22
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