OESP, Economia, p. B6
26 de Abr de 2007
Biocombustível não prejudica alimento, diz FAO
Organização faz diagnóstico que contraria o da Venezuela e Cuba
A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) vai entrar na briga sobre o uso do etanol, dando razão ao Brasil. A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a FAO fez um diagnóstico sobre o assunto e concluiu que os biocombustíveis não prejudicam a produção de alimentos no mundo, como argumentam os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Fidel Castro.
No discurso que fará hoje em Santiago, Lula dirá que, mais do que fontes alternativas baratas, o etano e o biodiesel oferecem repostas eficazes para os principais desafios da época, como geração de empregos, e diversificam a pauta exportadora.
'Está havendo uma ideologização descabida, mas nós vamos tirar a ideologia dessa discussão', afirmou o ex-ministro José Graziano, atualmente no cargo de representante regional da FAO para América Latina e Caribe. Lula receberá as conclusões das Nações Unidas hoje, das mãos de Graziano, ao lançar a campanha intitulada América Latina Sem Fome.
'Esse é um tema novo, pouco conhecido e alvo de muita especulação. Não é uma solução para todos os países, não é uma panacéia, mas semear combustível é uma grande oportunidade de tirar muita gente da pobreza', disse Graziano, que é um dos mentores do Fome Zero. 'Não podemos politizar esse debate.'
O estudo da FAO revela que, dos anos 60 até hoje, a América Latina e Caribe triplicaram a produção de alimentos. Além disso, segundo patamares fixados pela organização, o mínimo necessário para uma pessoa sobreviver bem alimentada é de 2.200 quilocalorias diárias.
De 2002 a 2004, a oferta de alimentos no mundo ficou bem acima dessa medida: 2.800 quilocalorias. Somente na América Latina e Caribe foi de 2.880. 'Isso mostra que, com exceção de algumas regiões da África, o problema não é de alimentos, mas de acesso a eles', disse Graziano. O ex-ministro admite que, numa primeira etapa, o uso do etanol e do biodiesel poderá provocar impacto nos preços dos alimentos. Porém, a fase será temporária. Na avaliação de Graziano, o impacto maior será causado pela decisão dos EUA de quadruplicar a produção de milho até 2010, de olho no biodiesel.
Na tentativa de reduzir riscos, a FAO recomendará algumas medidas no estudo. Na lista estão o zoneamento agroecológico - determinando o que é área de plantio e de preservação -, a fixação de um marco regulatório para o setor, a regulamentação dos direitos dos trabalhadores e o incentivo a políticas tecnológicas e de transporte público - para que o biocombustível não seja usado apenas em veículos privados.
Embaixador faz defesa brasileira em artigo no Chile
Marina Guimarães
Seguindo os trilhos da 'Diplomacia dos Biocombustíveis', o embaixador do Brasil no Chile, Mario Villalva, escreveu um artigo para o jornal chileno 'El Mercurio', no qual faz uma defesa dos acordos brasileiros nessa matéria. 'O Brasil está negociando acordos bilaterais sobre biocombustíveis com diversos países, com o objetivo de garantir o desenvolvimento sustentável, reverter o impacto climático causado pelo efeito estufa e, dessa forma, proporcionar bem estar a toda a população do mundo', introduz. O artigo foi estrategicamente publicado ontem, no dia da chegada do presidente Lula a Santiago. Sem mencionar diretamente a dependência chilena do gás argentino, o embaixador chama a atenção para o assunto que será parte de um dos acordos que Lula vai assinar com Michele Bachelet amanhã. 'Para Chile, os biocombustíveis também podem contribuir de maneira significativa com a redução da contaminação e com o desenvolvimento econômico', afirmou o embaixador.
OESP, 26/04/2007, Economia, p. B6
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