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Biocombustíveis na berlinda

O Globo, Ciência, p. 36
10 de mai de 2007

Biocombustíveis na berlinda
Falta de planejamento na produção pode causar problemas ambientais, alerta ONU

Os biocombustíveis serão mais eficazes se forem usados como fonte de energia e calor; e não apenas como uma alternativa ao petróleo na área de transportes.

É o que garante um relatório da Agência de Energia das Nações Unidas, publicado ontem. O documento alerta que uma corrida em direção aos biocombustíveis, sem o devido planejamento, pode causar graves impactos ambientais e sociais.

Entre os possíveis problemas, estão o agravamento do desmatamento, os conflitos pela posse da terra e o aumento do preço dos alimentos. Nos Estados Unidos, a expectativa de um aumento da produção de biocombustíveis já fez subir o preço do milho, que é matéria-prima para o etanol naquele país. O Brasil lidera a produção mundial de etanol obtido a partir da cana-de-açúcar. Os dois países detêm 70% do mercado mundial de álcool combustível.
Indústria vai gerar novos empregos
Para os autores do relatório, a melhor forma de reduzir as emissões de gases do efeito estufa é combinar o uso de biomassa para a produção de energia e calor. Estados Unidos e Europa, porém, já estipularam metas para a expansão do uso de biocombustíveis no setor de transportes. O biodiesel e o etanol - menos poluentes do que o petróleo - são considerados as melhores opções para substituir os combustíveis de origem fóssil.

O relatório da ONU diz que os biocombustíveis devem realmente se tornar importantes no futuro, gerando energia para milhões de pessoas. Essa indústria pode fazer surgir milhares de empregos. Mas o documento alerta para o perigo de uma mudança brusca e mal planejada.

Em algumas regiões da Ásia, por exemplo, a demanda por biocombustíveis pode expandir as fronteiras agrícolas, aumentando o risco de desmatamento das florestas tropicais e, conseqüentemente, o aumento das emissões de CO2 na atmosfera. Uma possível monocultura para a produção de biocombustíveis poderia levar à perda da biodiversidade e à erosão.
No Brasil há violação trabalhista
O Brasil - onde são esperados investimentos de até US$ 100 bilhões no setor nos próximos dez anos - é citado pelo relatório. O documento menciona os plantadores de cana-de-açúcar de São Paulo, que são obrigados a deixar uma parte de suas terras intactas, transformadas em reservas naturais. Os mesmos usineiros, porém, são acusados de desrespeitar às leis trabalhistas e submeter os cortadores de cana-de-açúcar a condições desumanas de trabalho.

Em março passado, o país se juntou a China, os Estados Unidos, a Índia, a África do Sul e a União Européia na criação do Fórum Internacional de Biocombustíveis, cujo objetivo é incrementar a produção mundial e o uso dos biocombustíveis.

Para a Agência de Energia das Nações Unidas, só uma visão geral da questão pode evitar que a busca por combustíveis alternativos não se transforme em mais um problema.

O Globo, 10/05/2007, Ciência, p. 36

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