Diário do Pará-Belém-PA
Autor: Luiz Sabaa
11 de Mar de 2006
Os impactos da construção da hidrelétrica de Belo Monte foram apresentados
anteontem a prefeitos e vereadores da região oeste do Pará no auditório João
Batista, no Palácio da Cabanagem. A lagoa a ser criada com a barragem
ocupará tanto a área rural quanto pela periferia do município de Altamira,
tornando necessária a retirada de 12 mil pessoas. Uma aldeia indígena também
será atingida. Mas a Eletrobrás assegura que, por conta da quantidade de
energia produzida, os benefícios econômicos superaram os danos
sócio-ambientais.
O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Nicias
Ribeiro, afirma que Belo Monte será "uma hidrelétrica fantástica", capaz de
produzir 11 mil Mega Watts com reservatório de 400 quilômetros quadrados.
Ele afirma que existem, no território brasileiro, lagoas de usinas que
chegam a medir muito mais, como 1.400.080 quilômetros quadrados. Outra
vantagem é de que "o que vai ficar alagado é somente a área que enche
durante o período de 'inverno' amazônico há milhões de anos".
A hidrelétrica de Belo Monte ficará localizada no trecho da Volta Grande do
Rio Xingu, no município de Altamira. Vai aproveitar uma queda d'água de 92
metros. Carlos Móia, representante da Eletrobrás, informa que a energia será
destinada a outras regiões brasileiras além do Norte. "Será um benefício
para todo o país", garante. De acordo com a Associação dos Municípios da
Calha Norte, pelo menos 300 mil paraenses residem em municípios que ainda
não contam com energia elétrica, mas somente com a produzida por queima de
combustível.
A expectativa é que sejam gerados 18 mil e 700 vagas de emprego durante a
construção da barragem. De acordo com a prefeita de Altamira, Odileida
Sousa, a geração de vagas de trabalho é o que mais tem motivado a população
local a ser favorável ao projeto. "A exploração da madeira está proibida, e
as pessoas não têm oportunidade para trabalhar. A esperança é que a
hidrelétrica venha desenvolver a região e também traga a pavimentação da
Transamazônica". A respeito da remoção de famílias, a prefeita observa que
elas vivem em áreas que costumam alagar todos os anos em precárias
condições. Se a Eletrobrás cumprir a promessa, a construção vai oportunizar
a remoção de pessoas para "áreas mais dignas", isto é, fora da influência
das cheias do Xingu.
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