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Belas cachoeiras da Amazônia vão desaparecer com hidrelétrica

Jornal Pequeno
04 de Jan de 2006

Se há um lugar em que o velho dilema entre progresso e preservação ambiental se coloca à flor da pele, esse lugar chama-se Chapada das Mesas, região de aproximadamente 160 mil hectares no sul do Maranhão que abrange, principalmente, os municípios de Carolina, Riachão e Estreito.

Com a chegada á região, quase ao mesmo tempo, de projetos aparentemente paradoxais - a criação do Parque Nacional de Chapada das Mesas da usina hidrelétrica de Estreito -, o ano de 2006 coloca para gestores, empresários do trade turístico, donos de cerâmicas, pescadores , ambientalista e demais atores sociais que vivem ou trabalham na área o desafio de conciliar desenvolvimento e respeito ao meio ambiente.

Os ambientalistas da chapada, que, além da criação do Parque Nacional, colecionam outras duas importantes conquistas na região - a aprovação, pela Câmara Municipal de Carolina, de uma lei que cria áreas de reserva ambiental do município, e a não concessão, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ( IBAMA ), de licença para a construção da hidrelétrica de Ipueiras ( TO ), - não conseguiram deter o projeto da usina de Estreito.

Eles argumentaram e provaram que com a construção da hidrelétrica pelo menos uma dezena de belas cachoeiras, ainda pouco visitadas - como a do Capelão e da Caverna, ambas em Carolina - vão desaparecer. Mas não adiantou. O Ibama avaliou rigorosamente os impactos ambientais que o projeto trará a região e, em abril deste ano, concedeu a licença prévia atestando a viabilidade do empreendimento.
Em março do próximo ano, deve sair a licença definitiva, e em maio começa a construção da usina.

Aventurismo na chapada - Enquanto a hidrelétrica não vem, gente que trabalha com turismo na chapada aproveita para exibir aos visitantes o que podem ser as últimas imagens das cachoeiras condenadas ao desaparecimento.
João Ribeiro, da Moropóia Aventurismo, por exemplo, oferece aos turistas as belas visões das cachoeiras do Capelão ( que tem esse nome porque o local é hábitat do macaco capelão ) e da Caverna.

O passeio custa R$ 40 por pessoa, e começa na Pedra Caída. Para chegar à cachoeira do Capelão, o primeiro trecho, de cerca de 2 km, é feito a bordo de uma Toyota, por uma estradinha que mais parece uma trilha. Depois, a partir de um ponto além do qual a Toyota não pode mais avançar, caminha-se um pouco mais por um riacho de águas cristalinas e chega-se à exuberante queda d'água.

Na volta, uma trilha leva à cachoeira da Caverna. Passa-se pela caverna do nome - e pelas incontáveis andorinhas que habitam - antes de chegar à cachoeira propriamente dita, que é uma das mais belas da região.

Empresas como a Moropóia - que também é especialista em esportes radicais, como o rapel -, certamente encontrarão um vasto campo para atuar na Chapada das Mesas, mesmo com as mudanças ambientais produzidas pela hidrelétrica e com a nova visão do turismo sustentável e não predatório que a implantação do Parque Nacional vai trazer.

A preparação dos envolvidos com o turismo na chapada, aliás, é uma das preocupações do Ibama para 2006. Por isso, o órgão planeja, já para o inicio do próximo ano, a realização de vários cursos dirigidos a guias, condutores e outras pessoas que mexem com o turismo na região. De acordo com a gerente executiva do Ibama de Imperatriz, Adriana Soares de Carvalho, os cursos vão abordar temas como ecoturismo, condução de visitantes e turismo sustentável, e serão ministrados por turismólogos, geólogos e outros especialistas.

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