OESP, Economia, p. B4-B5
06 de Jan de 2013
BB financiou R$ 3,5 bilhões em energia eólica em 2012
Banco também foi um dos maiores financiadores de empresas que disputam concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos
IURI DANTAS
BRASÍLIA - O Banco do Brasil, maior instituição financeira da América Latina em ativos, fechou 2012 com uma carteira de R$ 3,5 bilhões de projetos de energia eólica e pretende terminar este ano como um dos principais financiadores das empresas privadas que disputarão as concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos. A avaliação foi feita pelo vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli.
"O BB hoje tem praticamente a conta de 100% das grandes empresas brasileiras, notadamente as envolvidas nesses projetos de infraestrutura. Estamos nos movimentando para ser um grande player nessas concessões que vão acontecer", afirmou Caffarelli. "Criamos áreas para que o banco tenha uma participação totalmente ativa, não queremos ser coadjuvantes, não queremos ser reativos, por isso nossa ideia é efetivamente sair na frente", completou.
Uma forte participação do Banco do Brasil em empreendimentos de energia agrada ao governo porque torna mais confortável a atuação de empresas privadas no momento em que o País passa por constantes apagões e terminou a renegociação dos contratos de concessão do setor elétrico.
Reportagem do Estado com base em diálogos de técnicos da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) mostrou, no mês passado, que muitos equipamentos de proteção e configuração do sistema estão obsoletos, exigindo novos investimentos.
Na área de logística, o governo pretende conceder à iniciativa privada 7.500 quilômetros de rodovias, 10 mil quilômetros de ferrovias e os aeroportos internacionais do Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Belo Horizonte, com licitações programadas para este ano.
A privatização foi anunciada no ano passado, como estratégia para deslanchar investimentos e reanimar a economia. Depois de crescer 7,5%em2010, o Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou para 2,7% no primeiro ano do governo Dilma Rousseff antes de frear mais ainda e expandir somente 1% em 2012, segundo projeções do Banco Central.
Fórum. Como parte da estratégia para os leilões deste ano, o BB criou no mês passado um fórum permanente de infraestrutura na diretoria. O objetivo é monitorar não somente os grandes projetos de logística, como também as obras relacionadas à Copa do Mundo e a instalação de empresas fornecedoras de máquinas e equipamentos no País, segundo Caffarelli.
"Hoje decidimos que o BB vai ser o grande banco financeiro desses projetos de infraestrutura, nunca estivemos tão bem preparados para participar", declarou o vice-presidente, lembrando que também tem interesse em estruturar lançamentos de títulos no mercado por empresas, conhecidos como debêntures.
"O fato de o BB ser grande banco de varejo e de capitais nos deixa em situação privilegiada em relação a bancos de investimento."
Ventos. Nas avaliações internas, a cúpula da instituição trabalha com um cenário de crescimento exponencial da participação da energia eólica na matriz energética brasileira, por isso vem atuando no setor desde 2005, com projetos no Sul do País. De acordo com Renato Proença, executivo da diretoria Comercial do BB, a fatia de eletricidade gerada por ventos deve subir do atual 1% para algo em torno de 9% a 10% em 2020.
"Seguramente, acho que agente trabalha com um segmento que no futuro próximo será um dos melhores setores", disse o executivo. "O que a gente tem visto é cada vez mais as empresas que são fornecedoras na cadeia se instalarem no País. Temos movimento de fornecedores de equipamento vindo para o Brasil. Não é só a ligação do banco com setor de energia, é um pouco do DNA de financiar."
OESP, 06/01/2013, Economia, p. B4-B5
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