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BB corta crédito de quem explora trabalho escravo

O Globo, O País, p. 8
07 de Abr de 2005

BB corta crédito de quem explora trabalho escravo

Geralda Doca

O Banco do Brasil anunciou ontem que cancelou o crédito para 60 clientes, entre pessoas e empresas, que fazem parte das duas listas sujas feitas pelo governo com os nomes de quem foi flagrado pela fiscalização do Ministério do Trabalho explorando mão-de-obra escrava. Esses clientes tinham empréstimos com recursos públicos no valor total de R$ 100 milhões. O vice-presidente de Crédito do BB, Adézio de Almeida Lima, admitiu que até 2003 a instituição não usava esse tipo de critério na concessão do empréstimo.
Sem divulgar nomes, ele disse apenas que o crédito foi suspenso para os que estão incluídos nas listas sujas do Ministério do Trabalho.
- Cortamos o limite de crédito para essas pessoas e empresas enquanto o nome estiver incluído na lista do ministério - explicou Lima.
Até agora, o Ministério do Trabalho já divulgou três listas, que incluem 163 nomes, entre fazendeiros e empresas autuados pelos fiscais por exploração de trabalho escravo ou em condições degradantes, principalmente no setor agropecuário. O cadastro está na página do ministério na internet e deverá ser atualizado no próximo mês. Um dos objetivos do governo ao divulgar a lista é fazer os bancos públicos suspenderem o crédito para os envolvidos com esse tipo de crime.
Crédito restrito para quem agride o meio ambiente
Segundo Lima, todas as 3.500 empresas clientes do banco com faturamento acima de R$ 100 milhões terão o limite de crédito reavaliado. O mesmo procedimento está sendo adotado na avaliação de projetos que envolvam empréstimos acima de R$ 10 milhões.
- Estamos restringindo o crédito para as empresas detentoras de trabalho escravo, trabalho infantil e empreendimentos que permitam a prostituição infantil, além de agressões ao meio ambiente - disse o vice-presidente de Responsabilidade Socioambiental do BB, Luiz Oswaldo de Souza.
Ontem, o BB anunciou também sua adesão aos Princípios do Equador - conjunto de regras fixadas pelo Internacional Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial - na concessão de empréstimos acima de US$ 50 milhões.
O interessado terá que apresentar um estudo prévio sobre o impacto socioambiental da obra e as medidas a serem tomadas para reduzir riscos. Entre os bancos que aderiram aos padrões internacionais estão Bradesco, Itaú e Unibanco.
Novo sistema será impulsionado com as PPPs
Segundo Lima, a medida vai atingir grandes projetos, sobretudo, na área de infra-estrutura, como portos, rodovias, ferrovias e hidrelétricas. Atualmente, o banco tem 13 projetos desse porte em análise. A maioria deles são do setor elétrico (hidrelétricas e linhas de transmissão). Na avaliação do BB, o novo sistema de análise de crédito vai ganhar força com o funcionamento das PPPs (Parcerias Público-Privadas).

O Globo, 07/04/2005, O País, p. 8

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