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Bastos tentará resolver impasse em RR em encontro

Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
08 de Jan de 2004

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, vai se reunir com o governador
Flamarion Portela e a bancada de Roraima no Congresso até o fim desta semana
para tentar resolver a homologação da reserva indígena de Raposa/ Serra do
Sol, naquele Estado.

A homologação, que vem se arrastando desde 1998, tomou contornos políticos
desde anteontem, quando índios e fazendeiros invadiram prédios públicos e
bloquearam os acessos à capital Boa Vista, na avaliação do governo federal.
No encontro, o ministro tentará, mais uma vez, convencer o governador a
retirar fazendeiros e não-índios da área já demarcada como reserva.

"Bem que o governador poderia assentar logo essas pessoas", disse o
presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes.

O governo federal vem tentando convencer Flamarion desde o ano passado a
retirar os 665 moradores de cinco vilas que ficam dentro da
reserva --Surumu, Água Fria, Uiramutã, Socó e Mutum. A idéia é transferi-las
para outra área federal de Roraima.

Além deles, há 67 núcleos rurais no interior da reserva que também devem ser
retirados e os moradores, indenizados. Segundo avaliação do governo federal,
há também áreas griladas, interesses de mineradoras e cerca de 25 mil
hectares de mata nativa já devastados por fazendeiros.

Flamarion, que se licenciou do PT devido ao "esquema dos gafanhotos", diz
que as plantações de arroz dos núcleos rurais são fundamentais para a
economia do Estado. Mas esse argumento é recebido com ceticismo em Brasília.

O esquema dos "gafanhotos", apelido dos funcionários-fantasmas que "comiam"
a folha salarial do Estado, está sob investigação da PF. O ex-governador de
Roraima, Neudo Campos, chegou a ser preso por suspeita de envolvimento no
esquema e agora responderá a processo.

Ao todo, há 14.719 índios, em 148 aldeias, no 1,751 milhão de hectares da
Raposa/ Serra do Sol. A reserva é a 12ª em tamanho na região Norte.

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