VOLTAR

Banana ajuda a despoluir água

O Globo, Ciência, p. 32
24 de Mar de 2011

Banana ajuda a despoluir água

Casca da fruta facilita identificação de metais como chumbo e cobre

A casca de banana, quem diria, pode ajudar a despoluir a água. Esta é a conclusão de um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O material, quando picado, é capaz de se ligar e acumular quantidades de chumbo e cobre da água do rio, tornando 20 vezes mais fácil a detecção de metais tóxicos. A expectativa dos pesquisadores do Instituto de Biociências é que a técnica possa ser adaptada para uso industrial, como uma alternativa barata e não tóxica para assegurar fontes de água potável.
A banana desbancou materiais construídos por reações químicas especialmente para remover metais da água - como sílica modificada, alumina e celulose. Estas substâncias, além de caras e menos eficientes do que a casca da fruta,
ainda produzem resíduos tóxicos durante o seu preparo.
Metais pesados como cobre e chumbo são contaminantes comuns nos setores industrial e agrícola. Mesmo quando encontrados em concentrações extremamente baixas na água, podem ser tóxicos para a saúde humana, provocando danos do fígado ao cérebro.

Experimento já usou canade- açúcar e fibras de coco

Embora possa provocar tantos males, essas doses minúsculas são muito difíceis de detectar. Por isso, não faltam pesquisas com materiais alternativos para flagrá-las, como cana-de-açúcar, fibras de coco e cascas de maçã.
Os pesquisadores começaram os testes com frascos de água contendo níveis pré-determinados de cobre e chumbo positivamente carregados. A eles foram adicionados cascas secas de banana. A mistura foi mexida e, poucos minutos depois, havia menos metal diluído água do que no início do experimento. A casca atraiu os metais.
A técnica funcionou mesmo quando realizada sob altos níveis de pH, o que mostraria sua eficiência nos fluxos de resíduos provenientes de fontes industriais. Uma ressalva: as cascas de banana, sozinhas, não podem remover metais da água ou acabar com uma contaminação. Elas estão sendo festejadas por sua capacidade de unir vestígios de cobre e chumbo e, assim, tornar mais fácil sua detecção.
Nos EUA, a quantidade máxima permitida de chumbo na água potável é de 15 partes por bilhão. Um limite tão baixo pode escapar facilmente por diversos equipamentos. No estudo conduzido pela Unesp, as cascas de banana catalisaram a concentração de ambos os metais, facilitando sua identificação mesmo com instrumentos básicos.
Antes de ser adotado em uma maior escala, o experimento deve ser repetido em outras localidades e com mais espécies de banana, em vários níveis de maturação. A preocupação é que os resultados positivos da pesquisa devam-se a componentes químicos muito específicos, que não se repitam em outros tipos da mesma fruta.

O Globo, 24/03/2011, Ciência, p. 32

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.