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Baleia morta no Recreio será usada na venda de crédito de carbono

O Globo, Rio, p. 18
21 de set de 2004

Baleia morta no Recreio será usada na venda de crédito de carbono

Tulio Brandão

A baleia-de-bryde encontrada morta domingo na Praia do Recreio vai virar euro. A Central de Tratamento de Resíduos de Nova Iguaçu, para onde vai o cetáceo de cerca de 10 toneladas, transformará o gás metano da decomposição do animal em crédito de carbono. A Paulista S/A, empresa que administra o aterro sanitário, está prestes a assinar um contrato de venda da redução de emissão de gases com o governo da Holanda. No sistema, previsto pelo Protocolo de Kyoto, países ricos podem comprar cotas de redução de emissão de países pobres. O gás metano do aterro é aproveitado como combustível na estação de tratamento de chorume.
A gerente de meio ambiente da Paulista S/A, Adriana Felipetto, explica como funciona a venda do crédito:
- Estudos mostram que o gás metano da matéria orgânica em decomposição é 23 vezes mais agressivo à camada de ozônio que o monóxido de carbono. Uma tonelada de gás metano equivale, portanto, a 23 créditos (toneladas) de carbono. Assinaremos o contrato no mês que vem com o governo holandês no valor de oito milhões de euros, com o compromisso de atingir a cota de 2,5 milhões de toneladas de carbono na redução da emissão.
Pelos cálculos de Adriana, a baleia de dez toneladas vai emitir 24 toneladas de crédito de carbono em dez anos. Como a média do mercado é de quatro euros por tonelada, a baleia deve render cerca de 100 euros. Quando o contrato for assinado, sua validade será retroagida para março deste ano. Desde então, a S/A Paulista acumulou 35 mil créditos de carbono.
Cetáceo será necropsiado hoje em Nova Iguaçu
O Banco Mundial, que serve de intermediário entre o governo holandês e a empresa, confirma o contrato. Werner Kornexl, especialista ambiental da instituição, diz que cinco empresas no país já assinaram contratos de venda de crédito de carbono e que há 30 projetos semelhantes para 2005.
- No Rio, esta empresa é a primeira a trabalhar com isso. A ONU define os critérios, registra o negócio e os governos federais autorizam - explica.
Segundo Adriana, a S/A Paulista já tem a carta do governo brasileiro para assinar o contrato e não precisará esperar a ratificação do Protocolo de Kyoto para iniciar a operação.
O Ibama vai assinar com a empresa um acordo de cooperação na Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Sudeste. O assessor do instituto no Rio, Walter Plácido, diz que o cetáceo será necropsiado hoje de manhã no aterro.
- Será a primeira das quatro baleias encontradas no estado nos últimos dois meses a ser examinada.

O Globo, 21/09/2004, Rio, p. 18

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