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Baixada é área vulnerável a mudanças climáticas

O Globo, Rio, p. 19
09 de Ago de 2008

Baixada é área vulnerável a mudanças climáticas
Estudo prevê que cidades litorâneas do estado também poderão ser afetadas pela elevação do nível do mar

Paula Autran

A Baixada Fluminense (principalmente os municípios ao longo dos rios Sarapuí e Iguaçu) e a região costeira de Rio, Niterói, Macaé, São João da Barra (Atafona) e Rio das Ostras são as áreas mais vulneráveis do estado às mudanças climáticas que podem elevar o nível médio do mar em meio metro nos próximos cem anos, segundo estimativa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Foi o que concluíram estudos de vulnerabilidade às mudanças climáticas globais encomendados pelo governo do estado e apresentados ontem na 4a Reunião do Fórum de Mudanças Climáticas, na Firjan. Segundo a secretária estadual de Ambiente, Marilene Ramos, os dados vão servir para direcionar políticas públicas no sentido de evitar futuros problemas. O plano de ação do estado fica pronto até o fim do ano.
- No futuro, precisaremos tomar medidas para enfrentar a questão, como com molhes e enrocamentos nas praias, para subir a área de areia. E é a partir desses estudos que vamos compor os chamados indicadores de vulnerabilidade, com os quais poderemos formular projetos para as áreas mais sensíveis. Como se trata de uma metodologia credenciada em nível mundial, poderemos concorrer a recursos internacionais para o enfrentamento das questões. Existem muitos fundos internacionais para isso - explicou Marilene. - Estamos projetando uma estrada ao longo do Rio Sarapuí. Como ele é na Baixada, a estrada ficará numa cota 40 centímetros mais elevada para que, em caso de elevação do nível do mar, ela não seja perdida.
Terrenos na Baixada tendem a afundar
Segundo um dos responsáveis pelos estudos, o professor Paulo Rosman, da Coppe/UFRJ, as planícies da Baixada são depósitos relativamente recentes de sedimentos que, com a água, ficam moles e afundam.
- Além do problema da elevação do nível do mar, há o do afundamento do terreno - diz ele, autor do "Estudo de vulnerabilidade climática no litoral do Estado do Rio de Janeiro". - Quando falamos em vulnerabilidade, falamos de áreas em que há pessoas morando.
Já o professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, alerta para os efeitos na vegetação:
- Os fragmentos de vegetação que se mostram mais sensíveis são os do Norte do estado, onde a floresta tende a se tornar uma savana. Na área central, onde há uma Mata Atlântica mais densa, a tendência é uma floresta mais rala.
O grande vilão do problema são os gases de efeito estufa.
Não por acaso, no fórum duas importantes parcerias foram firmadas. Uma com a Videofilmes, que plantará três hectares de floresta como compensação pelas emissões de gases nas filmagens de "Linha de Passe", de Walter Salles Jr., no recém-criado Parque do Carbono -- uma área do Parque Estadual da Pedra Branca. São 1.360 hectares, onde se pode plantar 3,4 milhões de mudas. A outra é com a Empresa de Obras Públicas e a Cehab, inserindo em seus catálogos todo tipo de material ecológico.

O Globo, 09/08/2008, Rio, p. 19

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