O Globo, Rio, p.19
22 de Set de 2004
Baía tem 15 empresas com alto risco de acidentes
Ana Wambier
Por armazenarem grandes quantidades de produtos químicos tóxicos e inflamáveis, quinze indústrias situadas no entorno da Baía de Guanabara foram classificadas, numa escala de 1 a 4, como as mais potenciais causadoras de acidentes ambientais, segundo levantamento inédito feito pela Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema). As centenas de empresas que estão instaladas no entorno da baía receberam uma pontuação que lhes atribui o nível de ameaça que representam, mas apenas quinze delas foram consideradas de nível quatro, o mais alto grau de perigo, de acordo com a Feema.
As empresas que apresentam forte potencial de risco são ameaças ao meio ambiente e principalmente às comunidades residenciais situadas perto das atividades industriais. Algumas regiões habitadas são consideradas críticas por estarem sujeitas às conseqüências de possíveis explosões, vazamentos de gases ou de produtos químicos altamente tóxicos. O mapeamento feito pela Feema se restringiu à área do entorno da baía, uma das mais industrializadas do Rio.
Os níveis de risco são estabelecidos de acordo com a armazenagem de produtos considerados perigosos - seja pela sua composição química ou pelo armazenamento. Fazem parte dessa lista o gás liquefeito de petróleo (GLP), normalmente envasado sob alta pressão; aguarrás mineral em tanques; cloro em cilindros, metanol, álcool anidro, xileno, amônia, normalmente armazenados em tambores, e hidrogênio comprimido.
Todos esses produtos podem, em circunstâncias especiais, causar estragos numa grande área. Em alguns casos, comunidades residenciais estão a apenas 20 metros de distância do perímetro das indústrias, como é o caso da Piraquê, da Titanic e da Refinaria de Manguinhos.
Campos Elíseos concentra empresas de alto risco
Uma das regiões mais críticas, segundo o levantamento, é a de Campos Elíseos, onde está situada a Refinaria Duque de Caxias. Ela concentra grande quantidade de empresas com alto potencial de risco. Além da Reduc, há ali 35 outras indústrias que possuem atividades que apresentam algum perigo, embora nem todas estejam classificadas no nível 4. Comunidades como Vila Serafim, Parque Império, Saraiva e o próprio centro de Campos Elíseos estão tão próximas dessas indústrias que foram incluídas no mapa de áreas vulneráveis.
A área da Refinaria de Manguinhos é também crítica por estar rodeada por 25 comunidades carentes nos bairros do Caju, Benfica e na Maré.
As empresas listadas são: Refinaria Duque de Caxias, Nacional Gás Butano Distribuidora; Rio Polímeros; BR Distribuidora; Sadia; Berty Deriva dos de Petróleo; Lubrizol do Brasil Aditivos; Titanic Distribuidora de Petróleo; Pan-Americana S.A. Indústrias Químicas; Indústria Alimentícia Piraquê; Refinaria de Manguinhos; Indústria e Comércio de Solventes, Tintas e Vernizes Tempo; Akzo Nobel; Getec Guanabara Química Industrial e a Ceg.
Ouvidas pelo GLOBO, todas as empresas disseram possuir planos de escape e de contingência em caso de acidentes.
Em 98 a Feema já havia classificado as empresas mais poluidoras da região. Esse novo trabalho, que será apresentado hoje num seminário aberto ao público no auditório da Firjan, resultou na elaboração de um banco de dados com georeferenciamento cuja finalidade será dar suporte a ações de contingência e escape em situações de emergência causadas por acidentes.
A ferramenta, que recebeu o nome de Sira, devido à abreviação de Sistema de Informações do Risco Ambiental, será aplicada também no controle de poluição ambiental.
Sistema arquiva informações sobre as comunidades
O trabalho de levantamento desses dados foram coordenados pela Secretaria estadual de Meio Ambiente e integra o conjunto de ações previstas no Projetos Ambientais Complementares (PAC), do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG). O PAC engloba investimentos da ordem de R$ 20 milhões, dos quais R$ 8,5 milhões já foram aplicados.
O Sira concentra informações sobre as áreas habitadas que podem sofrer com os impactos de um acidente. São cadastrados ainda dados como os nomes das comunidades, a distância em que se encontram das indústrias mais críticas, números populacionais, além das ruas que podem ser usadas para o caso de uma evacuação em massa, os hospitais mais próximos, as bacias hidrográficas que podem ser afetadas.
Há informações sobre a quantidade de produtos tóxicos estocados pelas empresas, como é feita a estocagem e os equipamentos de emergência que podem ser acionados no caso de acidentes.
O Globo, 22/09/2004, Rio, p. 19
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