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Bahia: o endereço dos resorts no País

OESP, Viagem & Aventura, p. V14
26 de Jul de 2005

Bahia: o endereço dos resorts no País
Estado atrai megainvestimentos - nove empreendimentos devem abrir as portas até 2008 - e preocupa ambientalistas

Silvia Campos

Na década de 70, algumas das praias mais bonitas da Bahia, como Trancoso, na Costa do Descobrimento, Itacaré, na Costa do Cacau, e a Praia do Forte, na Costa dos Coqueiros, eram paraísos quase intocados e de difícil acesso. Hoje, foram ocupadas por resorts de grande porte, alguns de bandeiras internacionais. A mesma situação se repete por toda a costa baiana.
A revista Guia de Resorts Brasileiros, uma relação de empreendimentos do gênero lançada este mês pela On Line Editora (Preço: R$ 9,90; 83 páginas), contabiliza 28 resorts na Bahia. Os Estados de São Paulo e do Rio - que têm o segundo maior número de estabelecimentos na lista - aparecem com 13 cada. A maioria dos hotéis filiados à Associação Brasileira de Resorts também está no Estado nordestino. São 14, contra apenas quatro membros paulistas e três fluminenses.
A onda dos resorts na Bahia, porém, parece estar apenas começando. Um levantamento realizado pelo Ministério do Turismo no ano passado mostra que oito empreendimentos devem abrir as portas para os turistas no litoral baiano até 2008 - sem contar o Leopoldo Terravista, negócio fechado este mês, com previsão de abertura até o fim de 2006 em Trancoso.
Entre eles está também o sofisticado Warapuru, na Praia da Engenhoca, em Itacaré, que terá padrão seis-estrelas e 40 bangalôs com piscinas privativas. O Txai, que já mantém um resort de luxo também em Itacaré, terá outra unidade em Trancoso, com previsão de abertura até 2007.
O mais volumoso dos novos empreendimentos, no entanto, será na Praia do Forte, onde está em construção, pela rede espanhola Iberostar, um complexo hoteleiro e de lazer que promete desbancar a Costa do Sauípe, resort com oferta de 1,5 mil apartamentos inaugurado em outubro de 2000. Serão quatro hotéis de padrão cinco-estrelas, com 400 apartamentos cada, e mais 208 casas, esparramados por 213 hectares. O investimento total chega a US$ 250 milhões. "A Iberostar está fazendo o maior investimento privado na área hoteleira do País", afirma o diretor-comercial da rede no Brasil, Orlando Giglio.
Ameaça
Enquanto a multiplicação dos resorts é motivo de celebração para turistas e operadoras, é também o temor dos ambientalistas. Muitos destes estabelecimentos são construídos em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), zonas em que o processo de ocupação deve ser disciplinado, e em regiões de mata atlântica.
Os empresários e o governo garantem que há uma rigorosa fiscalização para que o meio ambiente não seja prejudicado, mas não convencem a todos. "Algumas questões ambientais e sociais foram ignoradas", declara Mário Montavani, diretor da S.O.S. Mata Atlântica. "A Bahia está franqueando a destruição. As atividades turísticas concorrem umas com as outras e quem perde é a natureza", afirma.
Para Montavani, se não houver uma mudança na maneira como o turismo é conduzido na Bahia, a mata da região está condenada. "O desmatamento no Estado está fora de controle." Um dos problemas, segundo ele, é a especulação imobiliária que acompanha os megaresorts cada vez que uma praia é transformada num local de grande movimento turístico. "Ao longo da costa, de Salvador até a Praia do Forte, há um loteamento atrás do outro", diz.
Amigos da natureza
Montavani ressalta que o que destrói a natureza é a falta de planejamento em torno da atividade. "A S.O.S. Mata Atlântica acha que o turismo pode ser uma boa ferramenta de preservação. Há gente que faz bem feito, mas no Brasil são poucos."
Na Bahia, o ambientalista cita como exemplos de resorts que conseguem praticar o turismo sustentável, ou preocupado com questões ambientais e sociais, o Praia do Forte Ecoresort e o Txai, em Itacaré. Ambos apóiam e promovem projetos sociais e de conservação da mata atlântica.
"Já trabalhávamos com a preocupação de preservar o ambiente antes da Rio 92", conta o diretor de Operações do Praia do Forte Ecoresort, Alberto Jacques. "As pessoas dizem que temos de cuidar da região para que ela nos sirva por muitos e muitos anos."

OESP, 26/07/2005, Viagem & Aventura, p. V14

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