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Aventureiro caça novos contornos do Brasil

O ECO - www.oeco.com.br
Autor: Aldem Bourscheit
08 de mai de 2009

Servidor público atuando desde 1984 junto à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Integração, o especialista em geoprocessamento Alexandre Curado descobriu nos vôos de ultraleve uma forma bem particular para registrar belezas e mazelas do Centro-Oeste e de outras regiões que revelam a plenitude de seus detalhes desde os céus do país.

Formado em História e Educação Física, aprendeu na escola do trabalho diário os segredos da videografia, do mapeamento fotográfico de grandes áreas. A tarefa acontecia sempre na carona de algum tipo de aeronave, apesar de já possuir um brevet de piloto. Seu coração foi realmente conquistado quando realizou um primeiro vôo de ultraleve, pousando na areia branca e macia de uma praia. Daí para adiante, o horizonte é seu limite, dividindo as mãos entre os comandos da aeronave e o disparador de sua câmera Sony com resolução de 12 Megapixels. "Esse é o tipo de vôo que me encanta", disse.

Decolando da Associação de Pilotos de Ultraleve de Brasília, capital que já conta com cerca de oitenta pilotos autorizados, Curado tem cerca de mil horas acumuladas em vôos no Cerrado, Pantanal, Amazônia e outras paragens. Nunca se aventura no Sudeste ou abaixo, onde as condições do clima podem mudar rapidamente e nem sempre é bem recebido por fazendeiros e afins. Ele pode alcançar o sul do Pará e a grande floresta tropical em sete horas com sua aeronave. Já de Brasília à Ilha do Bananal, no Tocantins, são seis horas de vôo. "Do alto noto a imensidão e a diversidade de ambientes do Brasil. Tem muita coisa para se conhecer".

Carregando barraca, fogareiro, alimentação, água e outros apetrechos, o aventureiro pode permanecer em expedições aéreas por até dez dias, pousando sempre que necessário para encher os tanques de combustível localizados nas asas e próximos à cabine de pilotagem.

Com tantos quilômetros no currículo, Curado lembra de uma viagem rumo à Ilha do Bananal. No episódio, foi forçado a pousar próximo a um posto comum de gasolina para abastecer. Para surpresa dos frentistas. Seu ultraleve pode descer e decolar em pistas precárias com no mínimo 50 metros de extensão. Total liberdade para ir e vir em um país loteado com fazendas, estradas de terra, pastagens e aprazíveis margens de rios e praias. "O Cerrado é perfeito para vôos, com céu limpo, tempo estável, regiões planas e vegetação baixa", comentou.

Também não esquece de vôos silenciosos à luz da lua, sobre regiões adormecidas nos interiores do país. E de outros ladeados por grandes aves como os jaburus do Pantanal. Muitas cachoeiras escondidas nas encostas das chapadas são marcadas com o GPS e visitadas em seguida por terra, a pé ou no lombo de sua motocicleta de trilhas. Mas nem só beleza perpassa as lentes de sua câmera.

"Tenho notado muitas cascalheiras irregulares no Distrito Federal e entorno, além de queimadas, desmatamentos e assoreamentos de rios em várias outras regiões por onde sobrevoei. Vejo o desmate avançando até a margem dos rios", contou Curado. Um ultraleve não seria muito útil aos órgãos de fiscalização ambiental?

O explorador também costuma ajudar pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e de outras instituições a localizar animais como cobras, lobos-guará, suçuaranas e corujas equipados com sinalizadores eletrônicos e bem escondidos no meio da vegetação, dentro e fora de áreas protegidas. Do alto, fica muito mais fácil captar os sinais, marcá-los no GPS e enviar à equipe em terra.

Nos próximos dias, o piloto parte para o mapeamento do Rio São Félix, na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, onde há projetos para pequenas centrais hidrelétricas. Também planeja montar uma página na Internet, um abrigo seguro para vídeos e parte das mais de duas mil fotografias aéreas que já acumula em tantas aventuras pelo país.

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