O Globo, Economia, p. 23
23 de Jan de 2014
Autoridades autuam outra carvoaria em SP por trabalho escravo
Quinze empregados são resgatados, totalizando 34 em dois dias de blitz
RONALDO D'ERCOLE
ronaldod@oglobo.com.br
-SÃO PAULO- Mais 15 pessoas foram encontradas trabalhando em condições análogas à escravidão em uma carvoaria da cidade de Piracaia, no interior paulista, autuada ontem, no segundo dia da Operação Gato Preto, coordenada pelo Ministério do Trabalho em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Nos dois dias de fiscalização nas carvoarias da região, chega a 34 o número de trabalhadores resgatados.
Na terça-feira, uma força-tarefa já resgatara 19 pessoas em condições precárias em carvoarias no mesmo município. A operação da PRF flagrou também trabalho infantil.
Na ação de ontem, os auditores do Ministério encontraram os trabalhadores em condições ainda mais degradantes que as da véspera. Embora seja fornecedora de uma grande marca - a carvão Cacique, de Bragança Paulista - a carvoaria não registrava seus empregados e só os pagava de quatro em quatro meses.
- É mais uma grande carvoaria que não tem nada. Não tem banheiro, não tem refeitório, e os salários são pagos a cada quatro meses com cheques que são descontados somente no mercadinho local. E é uma propriedade grande que também produz madeira e também mistura madeira nativa, ilegal, no carvão de eucalipto - disse Luiz Antônio de Medeiros, superintendente do Ministério do Trabalho em São Paulo, que esteve no local.
A operação Gato Preto foi deflagrada na terça-feira com diligências em três cidades: Piracaia, Joanópolis e Pedra Bela. Das dez carvoarias fiscalizadas no primeiro dia, seis foram interditadas por manter empregados em condições degradantes. Em três delas, ainda, os fiscais encontraram seis crianças trabalhando - três delas em uma única carvoaria, em Joanópolis, que é fornecedora da Carvão São José, uma das maiores marcas do setor.
Ontem, depois de notificada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em sua sede em São Paulo, a Carvão São José assinou um termo de compromisso para quitar todas as verbas rescisórias dos três menores. Além disso, concordaram a pagar-lhes verba extra por dano moral, o que resultou numa indenização de R$ 18 mil para cada adolescente.
PREFEITOS SERÃO CONVOCADOS
A carvoaria autuada ontem também foi interditada, e a empresa a quem ela fornecia o produto, a Carvão Cacique, também será autuada.
Medeiros informou que vai convocar os prefeitos da região e propor um termo de compromisso para assegurar as condições de trabalho. - Tem que mudar também com ação política - disse.
O Globo, 23/01/2014, Economia, p. 23
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