Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LUIZ VALÉRIO
16 de Mar de 2003
Rodolfo Pereira, Mozarildo Cavalcanti, Romero Jucá e Augusto Botelho A expectativa dos parlamentares é que a decisão a ser tomada por Lula contemple índios e não-índios
Depois da visita do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) à Roraima, para ouvir os vários segmentos da sociedade sobre a melhor forma de se homologar a demarcação da Raposa/Serra do Sol, o que ficou, foi a expectativa da classe política roraimense quanto à forma como isso será feito, se excluindo estradas, núcleos urbanos e áreas produtivas ou determinando a retirada dos não-índios da região, o que, para a bancada federal, resultará na falência do Estado.
Na opinião do senador pedetista Augusto Botelho, a chance do presidente Lula decidir pela homologação da área da forma como quer o CIR, é remota. "Decidir pela proposta do CIR seria gerar conflito", disse. Afirmou que é preciso abandonar a idéia de que em Roraima, mas especificamente na área pretendida, só existem grandes fazendeiros. "Isso não é verdade. A maioria é de pequenos produtores rurais, pessoas que trabalham e têm pequenas casas. Temos um ou dois grandes fazendeiros", observou.
Botelho disse estar confiante numa decisão presidencial, que contemple aos índios e à necessidade de desenvolvimento do Estado de Roraima. "Se ele (Lula) decidir pela homologação em área única sem preservar as vilas, municípios, estradas e propriedades produtivas, será responsável pelas mortes que vieram a ocorrer. Tenho fé que ele será iluminado na hora de decidir", concluiu.
Para o deputado federal Rodolfo Pereira (PDT) a esperança que ficou é que o presidente Lula da Silva tome uma decisão justa, que contemple índios e não-índios. "E para que se tome uma decisão com justiça, é preciso reconhecer a brasilidade dos pioneiros que desbravaram aquela região e iniciaram a história do Estado", observou.
O parlamentar é um defensor contumaz da proposta que sugere a homologação da Raposa/Serra do Sol, preservando-se as vilas e municípios, as estradas e as áreas produtivas. Mas, mais que isso, defende ainda a proposta das entidades indígenas Sodiur, Alidicir e Arikon, que querem investimentos nas áreas indígenas para o desenvolvimento das comunidades silvícolas, tirando-as do isolamento. "Essa é a proposta ideal para o desenvolvimento do Estado", afirmou.
Rodolfo Pereira disse esperar que, de fato, o ministro Thomaz Bastos tenha vindo analisar os "prós e contras" da questão e leve ao presidente Lula, a informação da discordância pela maioria dos indígenas, que não concorda com proposta do CIR (Conselho Indígena de Roraima), baseada na idéia de que os não-índios, tachados de invasores, devem ser retirados da área da Raposa/Serra do Sol.
O senador Mozarildo Cavalcanti (PPS) disse acreditar no espírito de imparcialidade do ministro Thomaz Bastos e torce por uma decisão do Governo Federal que contemple indígenas e não-indígenas. Para ele, é pequena a reivindicação do governador, que sugere a exclusão de 320 mil hectares dos 1,678 milhão de hectares das terras demarcadas para os povos indígenas, visando a preservação dos municípios de Uiramutã e Pacaraima, vilas, estradas, propriedades produtivas e a rede de eletrificação.
Esta semana, segundo adiantou o próprio Mozarildo à Folha, ele vai reunir a bancada federal de Roraima para iniciar um trabalho de persuasão junto ao Governo Federal, para que o presidente Lula atenda ao pedido do governo de Roraima. Afirmou que toda a classe política local deixou as divergências de lado e se uniu em torno dessa questão, que é vital para o desenvolvimento do Estado.
A proposta defendida pelo senador Romero Jucá é ainda mais abrangente que a apresentada pelo governador Flamarion Portela. Ele quer, além da preservação dos núcleos urbanos, estradas e propriedades produtivas, que seja deixado de fora da terra indígena o local onde futuramente será construída a hidrelétrica do Contigo, além das áreas alagadas - ideais para a produção de arroz.
"Não tenho dúvida de que a demarcação e homologação será em área contínua. Defendo que tem que se tirar os não-índios das terras indígenas, mas algumas áreas devem ser destinadas a não-índios, de forma a viabilizar a vida econômica do Estado", argumentou. Jucá disse acreditar que a decisão a ser tomada pelo governo central, será a mais consensual possível.
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