A Crítica - acritica.com
Autor: Portal A Crítica
14 de Jun de 2026
Artista indígena reúne obras inéditas na instalação "Pira Sesá - Olho de Peixe"
Artista convida o público a refletir sobre ancestralidade, rios e memória com suas obras (Divulgação Divulgação e Karla Bright)
A artista visual, muralista e arte-educadora Auá Mendes, indígena do povo Mura, lança a exposição inédita "Pira Sesá - Olho de Peixe", na CASACOR São Paulo 2026, a principal mostra de arquitetura, design de interiores, paisagismo e arte das Américas. O evento acontece entre 2 de junho e 9 de agosto, no Parque da Água Branca, sob o tema "Mente e Coração".
Reunindo quatro obras inéditas, a exposição propõe um mergulho nos rios como territórios de memória, ancestralidade e resistência. Além das obras, um dos destaques da participação da artista é um Live Painting realizado no evento de abertura para convidados. Em poucas horas, Auá criou uma pintura inédita inspirada na própria CASACOR, traduzindo em cores, formas e símbolos as linguagens afetivas e visuais presentes na edição deste ano.
Nascida em Manaus, Auá Mendes constrói uma trajetória marcada pela conexão entre arte, território e identidade indígena. Com trabalhos desenvolvidos para instituições e marcas como Adobe Brasil, Natura, Google Brasil, Nike Brasil, Converse Brasil, Tok&Stok, Bienal de São Paulo, Banco do Brasil e Itaú Cultural, a artista apresenta agora uma instalação especialmente concebida para a edição 2026 da CASACOR à convite do curador, Hugo Ribas. Ribas é arquiteto, urbanista e curador, com ampla experiência nas áreas de arquitetura e infraestrutura. Com portfólio internacional, realizou projetos de arquitetura e interiores no Brasil e Líbano.
De forma independente, criou e desenvolveu projetos expográficos e cenográficos. Na área cultural e museológica, foi Coordenador Operacional no Museu Catavento; Coordenador de Projetos e Obras da Biblioteca Mário de Andrade; e atualmente é responsável pelo Núcleo de Infraestrutura "Arquitetura" do Museu das Culturas Indígenas
"Pira Sesá", expressão de origem indígena que significa "olho de peixe", nasce da ideia de enxergar o mundo dentro da correnteza. A partir da poética dos rios.
Na instalação, os rios aparecem como grandes avós e avôs: antigos, profundos e pacientes, carregando histórias que a terra não esqueceu. A exposição convida o visitante a refletir sobre permanência, deslocamento e pertencimento, ao mesmo tempo em que denuncia as violências sofridas pelos corpos d'água e pelos territórios indígenas.
O trabalho de Auá Mendes transita pelo conceito de corpo-território e pelas relações entre ancestralidade, memória e futuro. Influenciada pelos ensinamentos de seus familiares, anciãos e pelas reflexões de Ailton Krenak, a artista constrói obras que conectam passado e presente em diferentes suportes e linguagens.
A participação de Auá Mendes na CASACOR São Paulo 2026 amplia o diálogo entre arte contemporânea, saberes indígenas e arquitetura, inserindo no espaço da mostra discussões urgentes sobre memória, pertencimento, sustentabilidade e regeneração.
Auá Mendes (Manaus, 1999) é artista visual, designer gráfica, ilustradora, muralista, grafiteira e arte-educadora indígena do povo Mura. Vive entre Manaus e São Paulo desde 2020. Sua produção artística aborda temas como ancestralidade, corpo-território, desigualdades climáticas, territoriais e de gênero, com obras e projetos apresentados no Brasil e no exterior.
Entre seus trabalhos recentes estão participações no calendário Oxfam Brasil 2025 e na exposição "Justiça Climática: uma Discussão do Presente", além de projetos realizados com instituições culturais, organizações sociais e grandes marcas nacionais e internacionais.
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