GM, Meio Ambiente, p. A10
28 de Jun de 2004
"Atuação responsável` será ampliado
Programa das empresas do setor incluirá prevenção a roubos e ações de crime organizado
Andrea Vialli de São Paulo
O programa Atuação Responsável, lançado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) em 1992 para estimular o gerenciamento das questões ambientais, de saúde e segurança do trabalho nas empresas do setor, passará a abranger também aspectos como a prevenção a roubos e a ações de terrorismo ou do crime organizado. As mudanças serão anunciadas amanhã, durante a oitava edição do Congresso de Atuação Responsável, a ser realizado no Novotel Center Norte, em São Paulo. Serão apresentados ainda os números do programa referentes a 2003, que apontam melhorias na gestão ambiental das empresas em relação aos anos anteriores.
Inspirada em documento elaborado pela indústria química norte-americana, cuja especial preocupação com ações terroristas tem aumentado nos últimos anos, a inserção de novos indicadores no programa brasileiro visa estimular as empresas a se proteger dos problemas advindos do crime organizado, em especial o roubo de cargas e mercadorias. De acordo com Marcelo Kós, gerente de assuntos técnicos da Abiquim, os alvos em potencial desse tipo de crime tem sido os termoplásticos, os solventes, incluindo gasolina e óleo diesel, e os nitratos (usados na fabricação de fertilizantes). "Ações criminosas como o roubo de mercadorias subsidiam outras, como a adulteração de combustíveis e o desvio tributário proveniente do uso de mercadorias roubadas", explica Kós.
A Abiquim já criou uma comissão interna, ainda sem nome definido, para dar respaldo às empresas em relação aos novos indicadores, que devem incluir ações anti-seqüestro, proteção à informação (combate a hackers), mecanismos anti-sabotagem e de prevenção a roubos. Não se sabe ainda quanto as empresas deverão investir para se adequarem aos novos indicadores de segurança, mas
a Abiquim estima que elas deverão destinar cerca de 1 % do total de investimentos para essas ações. "Ao englobar esses quesitos, temos como meta que o Atuação Responsável brasileiro seja o mais avançado do mundo", diz Kós. O próximo passo será torná-lo um modelo de excelência para os países da América Latina, já que a indústria química desses países seguem as diretrizes do Responsible Care norte-americano. "O modelo brasileiro é mais próximo à realidade deles", afirma.
Indicadores ambientais
Entre os indicadores ambientais da indústria química brasileira, os destaques são o aumento no reuso da água, com conseqüente redução do consumo. Em 1999, quando os dados do Atuação Responsável começaram a ser sistematicamente computados, o consumo de água era da ordem de 11,5 m3/ tonelada de produto. Em 2003, foi de 6,2 m3/t de produto. O reuso, não contabilizado em 1999, já chega a 1,04 m3/t de produto.
O balanço da Abiquim destaca ainda a diminuição das emissões de gás carbônico na atmosfera, decorrentes do menor consumo de combustíveis fósseis (óleo combustível e carvão mineral) e do aumento, ainda que incipiente, do uso de fontes de energia renováveis, em especial da biomassa da madeira proveniente de reflorestamento (ver quadro).
Embora os investimentos em meio ambiente não sejam especificados de forma clara no balanço das empresas, a Abiquim estima que estejam em torno de 0,63% a 0,74% das vendas totais das empresas. "Estamos próximos dos índices mundiais, embora não existam ferramentas eficientes para contabilizar esse tipo de investimento", afirma Marcelo Kós. Nos Estados Unidos, os investimentos ficam em torno de 1% a 1,5% das vendas totais do setor, de acordo com informações da American Chemistry Council (ACC), associação da indústria química norte-americana.
GM, 28/06/2004, Meio Ambiente, p. A10
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