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Atlas revela destruição das florestas

O Globo, Ciência e Vida, p. 34
27 de Mai de 2004

Atlas revela destruição das florestas

Carolina Brígido

Apenas cerca de 7,6% da Mata Atlântica original restam no Brasil. Os locais onde ainda existem remanescentes da floresta foram mapeados em detalhes pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica. Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a ONG teve acesso a imagens de satélite de todo o país e registrou, em 94% do território nacional, onde estão as florestas, as restingas e os mangues no "Atlas dos Municípios da Mata Atlântica". O atlas está disponível no site www.sosmatatlantica.org.br.
A ONG também preparou uma lista com as dez cidades de cada estado com maiores percentuais da vegetação. No estado do Rio de Janeiro, Paraty é o município com mais áreas de Mata Atlântica intacta, 81%.
Florianópolis é a capital com mais mata preservada
Na classificação nacional, a capital da Mata Atlântica em termos absolutos é Florianópolis, com 18.032 hectares do bioma, ou 42% do que havia originalmente. No ranking dos municípios com maior área de remanescentes florestais, cinco são paulistas - inclusive o primeiro colocado, com 92% da mata original, Ilhabela.
Uma das integrantes da SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, disse ontem que o mais surpreendente no atlas, que foi finalizado em 2002, foi a quantidade de desmatamento recente.
- Imaginava-se que o desmatamento tinha diminuído na década passada. Mas verificamos que é um processo atual - disse Márcia.
O lançamento do atlas foi no Senado e contou com a presença de vários senadores - como os petistas Ideli Salvati (SC), Eduardo Suplicy (SP) e Aloísio Mercadante (SP). Este último, que é líder do governo, comprometeu-se a trabalhar para que a tramitação do projeto de lei que determina a preservação da Mata Atlântica seja aprovado ainda este semestre. O projeto tramitou na Câmara por 12 anos e agora está no Senado.
Hoje, Dia Mundial da Mata Atlântica, o Ministério do Meio Ambiente assina contratos de doação de recursos do Banco Mundial e do Banco Alemão de Crédito para Reconstrução (KfW-Group) para o desenvolvimento de programas de preservação da Mata Atlântica.
O Banco Mundial está destinando US$ 800 mil aos programas, enquanto o governo alemão financiará projetos num total de 17,6 milhões de euros.

O Globo, 27/05/2004, Ciência e Vida, p. 34

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