Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
26 de Mai de 2003
A física e ativista indiana Vandana Shiva reafirmou ontem que a biopirataria é uma nova forma de colonização. Os neocolonizadores retiram plantas e conhecimentos de comunidades tradicionais e lucram com produtos desenvolvidos a partir do patrimônio alheio. "A biopirataria é uma ameaça à vida".
A especialista em biopirataria esteve na tarde de ontem com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e defendeu uma revisão da legislação sobre a propriedade intelectual para impedir a pirataria de conhecimentos indígenas e de recursos naturais.
Vandana criticou os Estados Unidos por terem patenteado o vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave. Segundo ela, a "patente" garante a poucas companhias a exclusividade no diagnóstico e na produção de remédios para tratar a pneumonia asiática. Repete-se assim o "monopólio" que se instalou na área de transgênicos em que, ressalta a indiana, apenas cinco empresas podem vender sementes. "É a maneira certa de causar fome e espalhar doença".
Na conversa com a ministra, Vandana soube que, excepcionalmente, o Brasil autorizou a venda da soja transgênica desta safra. "Meu sonho para o Brasil é que o País continue livre dos organismos geneticamente modificados". A indiana relatou à ministra o fracasso da cultura de algodão transgênico em seu País. A Índia proibiu o cultivo de qualquer espécie de OGM depois que agricultores de quatro estados não tiveram os esperados lucros e produtividades.
A cientista contou que a Monsanto teria prometido aos agricultores uma produção de 1.500 quilos de algodão por hectare, mas ela não passou de 200 quilos. E, em vez do prometido lucro, os agricultores tiveram prejuízos. Ela está convencida de que os produtores que alardeiam sucesso na produção de transgênicos são "pagos para isso".
Vestida com o sari, traje indiano, Vandana ainda comentou que o mundo todo está de olho no governo Luiz Inácio Lula da Silva, pela proposta de trabalhar em "prol do povo", defender desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.