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Atividades produtivas da Reserva Extrativista do Cajari serão apresentadas na Embrapa Amapá

http://www.embrapa.br/noticias/banco_de_noticias/2007/maio
Autor: Dulcivânia Freitas
04 de Mai de 2007

A boa cotação do preço da castanha-do-brasil provocou uma mudança nas atividades produtivas da Reserva Extrativista do Rio Cajari (Resex CA), localizada no município de Laranjal do Jari, uma região abundante de castanhais, na fronteira dos estados do Amapá e Pará. De 2000 a 2005, o preço do hectolitro do produto saltou de R$ 22 para R$ 90. Essa valorização no mercado fez com que, neste mesmo período, muitas famílias da Reserva trocassem a atividade mista de agricultura e extrativismo para se dedicarem ao extrativismo baseado na coleta da castanha.

Estes dados fazem parte de uma pesquisa do agrônomo Walter Paixão, da Embrapa Amapá, para sua dissertação de Mestrado em Agriculturas Amazônicas, pela Universidade Federal do Pará. Na sexta-feira ( 4) a partir das 9 horas, Paixão fará uma palestra sobre o assunto, no Auditório da Embrapa Amapá, reunindo pesquisadores e técnicos de diversas instituições convidadas, entre universidades, órgãos federais, estaduais e municipais.

Para realizar o estudo, Paixão analisou as atividades produtivas das comunidades Marinho, Açaizal e Martins, referentes aos anos de 2000 e 2005. O objetivo foi observar se os extrativistas seguem as normas de uso do Plano de Utilização da Reserva, elaborado pelo Ibama e pela comunidade local. Apenas dois casos de não cumprimento foram registrados, referentes à atividade pecuária, que é proibida em área de reserva.

História

Dividida em três capítulos, a dissertação apresenta o contexto histórico, sócioeconômico e humano que envolve a região de localização da Reserva Extrativista do Rio Cajari, onde o autor faz uma análise da relação extrativismo versus agricultura no período colonial brasileiro e amazônico, passando pelos ciclos do extrativismo, com ênfase ao ciclo da borracha. Fazemos também uma análise da ameaça aos sistemas extrativistas da Amazônia por políticas desenvolvimentistas das décadas 70 e 80, e a emergência da cultura conservacionista associada ao desenvolvimento”, acrescenta Paixão.

Foi neste contexto que surgiu a regulamentação das novas Unidades de Conservação da Natureza na Amazônia, como as reservas extrativistas criadas pelo governo federal no final dos anos 80, que associam a conservação da biodiversidade com a necessária presença do homem. Uma Reserva Extrativista tem a função de conservar a floresta amazônica e proteger o direito das populações locais, que ficaram responsáveis pela
proteção da biodiversidade dos ecossistemas, mas não são proprietárias das áreas.

Uma das conclusões da pesquisa é que nenhuma família deixou de fazer agricultura e nem reduziu suas áreas de cultivo, mesmo mantendo a atividade de coleta e venda da castanha. O que aconteceu foi um impacto grande na renda das famílias, devido ao alto preço e ao aumento da produção da castanha”, explicou Walter Paixão. As famílias continuam plantando roças para consumo ou venda, com destaque para a mandioca. Outras culturas são a banana, batata, cará e abóbora, além da criação de galinhas, patos e suínos.

A Reserva do Rio Cajari, a primeira do Amapá, foi criada em 1990. Trata-se de uma área onde predomina uma floresta densa. Nos diferentes processos de ocupação desta área, desde 1890, sob a propriedade de José Julio, até a atual Reserva, passando pelo domínio dos portugueses e do projeto Jari, a extração da castanha sempre foi a principal atividade do Alto Cajari, localizada no Sul do Estado. A pesquisa foi orientada pela professora Laura Angélica Ferreira, e contou com apoio financeiro da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA).

Mais informações:
Walter Paixão (96) 3241-1551 ramais 215 e 202 / 9968-6337
paixao@cpafap.embrapa.br

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