OESP, Metrópole, p. A24
19 de Dez de 2015
Atividade petrolífera ameaça 120 espécies
Estudo ainda mapeia 78 áreas consideradas estratégicas para a proteção ambiental
Alfredo Mergulhão / RIO
As atividades do setor petrolífero ameaçam 120 espécies de animais vulneráveis que habitam a margem equatorial do litoral brasileiro, parte da costa voltada para a Linha do Equador, do Amapá ao Rio Grande do Norte. A constatação é de estudo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que representa as empresas de exploração de petróleo, com apoio técnico do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Estão ameaçadas 56 espécies de aves, 46 de mamíferos e 18de répteis e anfíbios. Também foram mapeadas 78 áreas consideradas estratégicas para proteção ambiental. Elas estão espalhadas pela margem equatorial e incluem ilhas. Na lista estão Lagoa dos Patos (RS), Baía de Paranaguá (PR), Praia Grande (SP), Baía de Guanabara (RJ), Lagoa de Araruama (RJ), Ilha de Boipeba (BA), Delta do Parnaíba (MA), Baía de Marajó (PA) e a Ilha de Itamaracá (PE).
Essa identificação, segundo os organizadores da pesquisa, servirá para dar agilidade ao licenciamento do setor de petróleo e de suporte para a elaboração do Plano Nacional de Contingência, a ser acionado em caso de desastres. "A preservação vai evitar que não aconteça novamente um desastre como o de Mariana, em Minas", afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
As espécies animais foram consideradas prioritárias pelos autores do estudos porque estão presentes em regiões onde existe atividade petrolífera com impacto ambiental. Algumas também são ameaçadas de extinção, como as tartarugas marinhas, que tiveram todas as suas áreas de desova rotuladas como de alto grau de vulnerabilidade.
O trabalho custou R$20 milhões ao IBP e foi elaborado por meio do Acordo de Cooperação Técnica firmado em 2013 com o Ibama. O levantamento ficará disponível em um banco de dados, que servirá como fonte de informações para o instituto emitir licenciamentos ambientais a projetos no setor.
A presidente do Ibama, Marilene Ramos, afirmou ontem que confia nos dados coletados pelo IBP e não acredita em manipulação pela entidade. "Os dados são transparentes e podem ser questionados por outros pesquisadores", disse, para quem o estudo facilitará o licenciamento e a fiscalização. "Teremos uma definição de onde pode ter esse tipo de atividade. Isso impede que se invista muitos recursos em um projeto que não poderá ser concluído."
Nova matriz. O presidente do IBP, Jorge Camargo, reconheceu que o setor de petróleo e gás apresenta riscos ambientais, mas diz que a atividade poderá vira ser sustentável. "Sabemos que nossa indústria precisa migrar para uma economia com baixo carbono, com nova matriz energética." A pesquisa começou pela margem equatorial, que tem chamado a atenção da indústria petrolífera nos últimos anos. No primeiro trimestre de 2016, deverão ser acrescidos os animais ameaçados no restante do litoral brasileiro.
OESP, 19/12/2015, Metrópole, p. A24
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